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segunda-feira, 11 de junho de 2018

País do futuro ou país sem futuro?



A quatro meses das eleições, e diante de um quadro desolador de pré-candidaturas presidenciais, o Brasil caminha, a passos largos, para alterar aquele vaticínio cunhado há mais de meio século pelo judeu austríaco Stefan Zweig, em seu livro “Brasil, um país do futuro”. Com a crescente polarização e radicalização políticas, nosso país se afasta cada vez mais da necessária convergência das pessoas comprometidas com a democracia para descortinar uma saída para os múltiplos impasses que têm diante de si. Econômicos, sociais, políticos, culturais…

As redes sociais, para literalmente chover no molhado, são território dominado pela desinformação, pelo preconceito, pelo ódio, pelas bizarrices e aberrações de ambos os lados. Já foram, há alguns anos, a esperança de uma nova forma de democracia participativa, de engajamento das pessoas nas causas que defendem. Foi assim com as manifestações que sacudiram a empoeirada estrutura político-partidária nacional, em entre 2013 e 2016, organizadas à margem dos balcões de negócios ou de proteção de privilégios corporativos que são a razão de ser de boa parte das 35 legendas existentes.

Para tornar o tempero ainda mais amargo, para adicionar óleo de rícino à posologia política atual, vêm as elites brasileiras rediscutir a questão militar, o golpe, a ditadura, a repressão, a guerrilha, o Araguaia, os crimes praticados pelos dois lados em conflito – as Forças Armadas brasileiras e o punhado de militantes esquerdistas que acreditava na conversão do país em uma sociedade comunista nos moldes daqueles que, com toda a justiça, foram atiradas na lata de lixo da História nas décadas recentes.

“Novos” documentos publicados por jornais ainda influentes reabriram feridas que precisam ser curadas, do contrário não há futuro para o país do futuro. É o Geisel que sabia das execuções de guerrilheiros. São os documentos da KGB russa confirmando que a União Soviética conspirava para tentar montar um cenário de guerra civil no Brasil. Nenhuma novidade nisso. Quem não sabe que, nos tensos anos da guerra fria, países periféricos como o nosso eram meras peças no embate capitalismo-comunismo?

Mas isso ficou para trás. Se não ficou, precisa ficar. Extremos políticos que se auto-alimentam e conspiram juntos pela degradação do ambiente democrático não são uma novidade na vida nacional. Se hoje estão mais vivos do que há muito tempo não se via, é um claro sintoma da enfermidade que acomete nossa sociedade e solapa o sistema representativo. Dificilmente os votos de outubro vão ser o apanágio para esses males.

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