quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

O Nordeste, enfim, no Ministério

O Nordeste não foi generoso com Bolsonaro nas urnas, nem no primeiro nem no segundo turnos. Perdeu para Fernando Haddad, no confronto final, mesmo por uma diferença pequena em alguns Estados. Ao longo do acirramento final da disputa não soube captar o sentimento do eleitorado nordestino de que seria o instrumento para tirar o PT do poder, pondo fim à roubalheira generalizada.

Bolsonaro não encontrou ressonância sequer na principal bandeira que assumiu com os menos favorecidos: o pagamento do 13º salário do programa Bolsa-Família, promessa cumprida. Mesmo não valorizado pelos nordestinos, o presidente não teria o direito de expurgar a Região do seu Ministério. No primeiro ano, não se viu uma alma nordestina despachando na Esplanada dos Ministérios.

Ontem, um nordestino do Rio Grande do Norte, especializado em sistema previdenciário, assumiu a pasta de Desenvolvimento Regional: o ex-deputado federal Rogério Marinho. Competente, articulado e respeitado, deu um show na discussão da reforma da Previdência, sendo o principal protagonista que falava em nome do Governo.

Não sei, na verdade, se ele entende de políticas regionais, mas se sua atuação na nova pasta se der na mesma direção em que atuou na Previdência, o Nordeste estará em boas mãos. Como é influente com o rei, pode canalizar um novo direcionamento aos Estados nordestinos que, historicamente, vivem de pires nas mãos em Brasília.

O Nordeste não é terreno fértil do ponto de vista político para o Governo Bolsonaro, porque todos os governadores, sem exceção, foram eleitos no campo de oposição, entre os quais dois dos mais influentes, Bahia e Ceará, empunhando a estrela do PT. Bolsonaro já deu alguns sinais de que não discrimina. Numa entrevista ao blog, o governador do Ceará, Camilo Santana, que é do PT, defendeu o fim da política do ódio por parte de colegas da Região, afirmando que não tinha do que reclamar do tratamento dispensado pelo presidente ao seu Estado. Por Magno Martins



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