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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Apodi: MST ocupa fazendas ligada ao ex-ministro Henrique Alves

Sem-terra ocupam Perímetro Irrigado Santa Cruz de Apodi, no Rio Grande do Norte/MST
Na noite do dia 25 de julho, marcado pela celebração do Dia do Agricultor e da Agricultora, militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) deram continuidade a Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, ocupando o Projeto do Perímetro Irrigado Santa Cruz de Apodi, articulado pelo político Henrique Eduardo Alves (PMDB), atualmente preso por corrupção.

Conhecido como "Projeto da Morte", o Perímetro Irrigado fica localizado na Chapada do Apodi do Rio Grande do Norte, região que vem sendo palco de conflitos entre representantes do agronegócio e camponeses desde 2012. O projeto é resultado de uma articulação de Alves, então Ministro da Integração Nacional, junto à bancada ruralista e as multinacionais do agronegócio.

Em junho deste ano, o político foi denunciado pelo Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte pelo esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de ao menos R$ 11,5 milhões em propinas, que também envolveu o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB). As denúncias foram realizadas no âmbito da Operação Manus, um dos desdobramentos da Lava Jato. 

Os projetos de Perímetros Irrigados fazem parte dos "grandes projetos" elaborados durante a Ditadura Militar, em aliança com fazendeiros e empresas do agronegócio, para supostamente alcançar o "desenvolvimento" e o "combate à seca" no nordeste. Estudos de impacto ambiental destacam que o projeto de Santa Cruz de Apodi não teria viabilidade técnica, pois a água existente na região apenas o viabilizaria por cinco anos, além de beneficiar um modelo de agricultura baseado no uso intensivo de agrotóxico.

Segundo uma nota divulgada pelo MST, o projeto foi moeda de troca para a articulação do "golpe jurídico-midiático-parlamentar empresarial de 2016, que levou o Presidente Michel Temer (PMDB) a presidência da república do Brasil, e a imposição de uma agenda de retrocessos a classe trabalhadora brasileira e a reforma agrária".

Considerada referência nacional na construção da transição agroecológica, por meio da produção e cooperação de famílias agricultoras assentadas em pelo menos trinta assentamentos do movimento, a Chapada do Apodi tem um dos maiores índices do desenvolvimento humano no estado do RN. No entanto, o MST alega que a construção da obra tem impactado diretamente na região, reconcentrando as terras sem indenização justa, e expulsando famílias do campo para as periferias das cidades.

“Exigimos que as terras desapropriadas sejam destinadas para a construção de um grande Projeto de Reforma Agrária Popular, que democratize a terra e água, avance na construção de um modelo de agricultura camponesa e familiar, que produza alimentos saudáveis para o campo e a cidade”, afirma a direção estadual do MST do Rio Grande do Norte.

A ocupação no Perímetro foi uma das muitas realizadas pelo MST por todas as regiões do país ao longo do dia 25, sob o lema "Corruptos, devolvam nossas terra!". As ações tiveram o objetivo de denunciar a relação entre o agronegócio com o governo golpista de Michel Temer, além do avanço no desmonte da agenda ambiental, a liberação da grilagem de terras, a permissão do aumento do desmatamento e o congelamento de novas demarcações de terras indígenas e quilombolas.


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Um comentário:

vilberto disse...

É assim que a gente fica sabendo das coisas