quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Tem que ter mingau no cérebro

O sujeito tem que ter mingau no cérebro para alegar que a Europa desmatou suas florestas por isso não pode falar do Brasil.

É constrangedor explicar, mas vamos lá, já que a audiência desta rede social tem de tudo: a Europa e os EUA realmente desmataram suas florestas. Mas faz séculos que isso aconteceu. Num tempo onde ninguém falava em aquecimento global.

A questão das queimadas tomou uma enorme proporção não porque podem ter sido criminosas, nem porque os estados do norte passam por longa estiagem.

O que impulsiona a questão para as primeiras páginas em todo mundo é o posicionamento de Bolsonaro em relação ao meio ambiente. E ele finge ignorar sua responsabilidade nessa questão (como no discurso de sexta-feira passada).

Bolsonaro parece viver no mesmo século em que a Europa desmatou seu território. Ou melhor, finge viver no Século XIX para poder colocar em prática sua agenda. Nosso presidente nunca viu a floresta e o meio ambiente como um ativo.

Para ele - e nunca escondeu isso, desde a época da campanha - a floresta é apenas solo disponível para ser explorado pela agricultura e/ou pela mineração, dois dos setores que mais contribuíram para sua campanha.

Bolsonaro desconhece as riquezas que podem vir da conservação.

Assim, quando Bolsonaro afirma que não acredita no aquecimento global, que “os ongueiros” são vagabundos ou quando tenta alterar a demarcação de terras indígenas, está se valendo de uma narrativa que sugere um ultra-nacionalismo do século passado, adequado para um militar que venera o golpe.

Mas desconfio que tudo não passe de cortina de fumaça para retribuir aos setores que o apoiam. Por isso ele não quer ajuda externa. Por isso Macron é um “moleque”. Por isso discursa sobre a Amazônia ser nossa. Porque se é nossa, usamos como bem entender, por exemplo, procurando nióbio.

No discurso de sexta-feira, Bolsonaro conseguiu escapar pela tangente e falar apenas sobre as queimadas e não sobre sua responsabilidade de ter afrouxado os controles de desmatamento com seu discurso de exploração do solo e desprezo pelo meio ambiente.

Na reunião de ontem com os governadores da região atingida pelas queimadas o assunto principal foi as terras indígenas.

E enquanto o presidente insiste nesse discurso para deixar feliz agricultores e mineradoras, há quem compre sua narrativa nacionalista posando de patriota.

Tem que ter mingau no cérebro.

Por Mentor Neto



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