segunda-feira, 20 de abril de 2020

Adepto da velha política

No apagar das luzes de 2019, falando em rede nacional de TV e Rádio, o presidente Bolsonaro estufou o peito e berrou, como faz nas suas lives e nas broncas dadas em jornalistas, que encerrava o primeiro ano do seu mandato sem ceder às pressões de políticos na indicação de ministros para a sua equipe, optando por um primeiro escalão seu, escolhido a dedo, sem a velha política do toma-lá-dá-cá, conjugada e praticada pelos antecessores.

Tudo mentira. A crise do coronavírus abriu a ferida das suas inverdades, do jogo sujo e manipulador: Luiz Henrique Mandetta, o ministro da Saúde que tentou preservar a vida dos brasileiros ameaçados pela Covid-19, pedindo para ficar em casa, foi, sim, produto da arcaica e débil política, assentado na cadeira do maior orçamento do País, algo superior a R$ 122 bilhões, mediante acerto com o DEM, partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP).

Nada contra critérios políticos em se tratando de um Congresso que só dá a maioria para o exercício da governabilidade em troca de participação no Governo. Isso foi assim desde o Governo de coalização de Sarney, passando pelo primeiro presidente eleito, Fernando Collor, FHC e Lula. O que intriga é a desfaçatez de Bolsonaro para enganar a população. Mandetta não apenas foi bancado pelo DEM, mas instrumentalizado pelos seus principais líderes, a começar pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, seu verdadeiro padrinho.

Essa história, portanto, de Ministério técnico e pessoal, é balela, para inglês ver. Se o País não estivesse enfrentando a maior crise de saúde da sua história, com consequências terríveis e imprevisíveis na economia, o Mandetta, ex-deputado do baixo clero da Câmara Federal, nunca iria ser carimbado como Democrata e ocupante de um pedaço grandioso no latifundiário do Governo Bolsonaro.

Bolsonaro pratica, sim, a velha política. Não dá para acreditar num chefe da Nação que tem um discurso para a plateia bater palmas e outro para adoçar a boca dos seus fieis e cegos seguidores.


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