segunda-feira, 20 de abril de 2020

Um dia gravíssimo

O Brasil viveu um domingo atípico, ontem, dia do índio, aniversário de Roberto Carlos. Quando os milhares de fãs aguardavam a live do rei, que foi lindíssima e emocionante, em Brasília o presidente Bolsonaro vai às ruas, numa manifestação em que discursa para um público, provavelmente mobilizado pelo chamado gabinete do ódio, fazendo coro pela   da ditadura, abertamente conclamando por uma intervenção militar com ele próprio, Bolsonaro, no comando.

Em alguns quartéis do Exército no Brasil, como o do Recife, no Curado, centenas de pessoas vestindo amarelo e com a bandeira do Brasil em mãos repetem o mesmo refrão: intervenção militar já. À noite, Roberto Jefferson, aquele traste carimbado e cassado pelo mensalão, confesso corrupto, é ressuscitado numa live por um suposto jornalista, afirmando que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), articula um golpe.

O Brasil vive a pior crise do século. Adoentado pela pandemia do coronavirus, que arrasta milhares de pessoas para o túmulo, sem distinção de raça, cor ou posição social, um presidente, com visíveis sinais de psicopata, joga gasolina na fogueira ardente da instabilidade, quando deveria cuidar da saúde do povo, preservar e salvar vidas.

O Brasil está na UTI. O cenário é muito preocupante. A crise é tripla: de saúde, política e economia. A Covid-19 não tira a vida apenas de seres humanos. Mata impiedosamente também empregos. Mais de 600 mil pequenas e médias empresas já cerraram suas portas do Oiapoque ao Chuí. Hospitais agonizam sem respiradores, a grande arma da guerra contra o vírus da morte e do terror.

O que há de acontecer? Quem tem bola de cristal para responder? Mas o fato é que mergulhamos no imprevisível, compasso que pode dar em tudo ou em nada, como diz uma canção. Estamos numa travessia do purgatório para o inferno e precisamos   despertar para isso.

Um Brasil de democracia jovem, mas aparentemente amadurecida, tem que correr da farda como o Diabo da Cruz. Não ao retrocesso, não ao golpe, não aos esquizofrênicos que nos querem tirar o direito de ter um momento de relaxe e prazer de tomar um vinho ouvindo Roberto Carlos cantar festejando seus 79 anos, dos quais mais de 60 nos emocionando com tanto amor e romantismo.

Por Ítala Alves

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