segunda-feira, 11 de novembro de 2024

RN não vai receber parcela de R$ 400 milhões do PEF em 2025; entenda


Governo do Rio Grande do Norte não conseguiu cumprir uma das metas fiscais estabelecidas junto ao Programa de Equilíbrio Fiscal (PEF), firmado com o Governo Federal, para conseguir a segunda parcela do empréstimo voltado à melhoria da malha viária do Estado. É o que afirma o titular da Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz/RN), Cadu Xavier. De acordo com ele, um dos fatores que contribuíram para esse cenário foi a redução do ICMS de 20% para 18%. A informação foi repassada em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News Natal, na manhã desta segunda-feira (11).

De acordo com o Secretário, a segunda parcela do PEF não vai ser encaminhada em 2025 porque o Estado não conseguiu cumprir a meta de redução do percentual de comprometimento da folha com gasto de pessoal. Apesar disso, o envio de recursos pode ser retomado em 2026, caso a meta seja cumprida em 2025, e a governadora Fátima Bezerra (PT) está se movimentando em Brasília para a segunda fase do Governo Cidadão.

Cadu Xavier explica que a meta era baixar 10% do acréscimo acima da meta estabelecida pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Isso significa que, considerando que o limite da Receita Corrente Líquida (RCL) é de 49%, o Estado precisava alcançar a redução de 0,7 dos 56% do comprometimento. “A gente não cumpriu a meta de gasto de folha com pessoal e a redução da alíquota do ICMS de 20 para 18% também teve um impacto direto nisso”, observa.

A adesão ao PEF foi anunciada em janeiro deste ano pelo Governo do Estado. Ao todo, a iniciativa assegurou cerca R$ 1,6 bilhão de recursos ao Estado por meio de empréstimo, dos quais R$ 428 milhões foram encaminhados ao Estado para recuperação da malha viária. Na época, Cadu Xavier destacou que a contratação da operação de crédito era a saída para equilibrar as contas públicas do Estado e aumentar investimentos na infraestrutura local. Ficou estabelecido, contudo, que as parcelas seriam liberadas à medida que o Governo atendesse a metas e compromissos pactuados no Plano, como ampla transparência dos dados fiscais.

Competitividade e geração de emprego

Além do impacto para manutenção do PEF, Cadu Xavier afirmou que a redução da alíquota do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) não influencia no aumento da competitividade do Rio Grande do Norte.

O Secretário esclarece que a alíquota do ICMS incide no mercado interno e a competitividade, por outro lado, está na alíquota interestadual a partir da concessão de créditos presumidos. Ele argumenta, portanto, que o mercado local não é impactado pelo percentual menor do imposto. “Se fosse assim, os outros estados não teriam feito esse movimento [de aumento da alíquota]. A guerra fiscal que a gente vive hoje é na concessão de benefícios para que uma empresa que vier para cá possa pagar menos imposto estando aqui”, complementa.

Cadu Xavier rebate, ainda, o argumento de que a redução do imposto para 18% foi o responsável pelo aumento na geração de empregos no Rio Grande do Norte. Isso porque o mesmo cenário foi observado em outros estados do país, assim como o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Localmente, aponta, o Plano Diretor de Natal foi um dos principais responsáveis pelo crescimento do mercado imobiliário e, consequentemente, dos postos de trabalho.

O projeto de aumento de alíquota do ICMS, junto a outras propostas que modificam a taxação de IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doações de Quaisquer Bem e Direitos (ITCMD) foi encaminhada à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte na semana passada.

De acordo com o titular da Sefaz, apesar da falta de êxito em 2023 para aprovar o crescimento do imposto neste ano, a discussão atual sobre o projeto tem sido realizada por meio de caminhos distintos. Aliado a isso, há uma conjuntura política diferente na Assembleia Legislativa do Estado, com a reorganização da base do Governo na Casa, com maior aprovação das matérias do Executivo.

Cadu Xavier observa que o pacote fiscal, contudo, não resolve o desequilíbrio fiscal do Rio Grande do Norte. De acordo com ele, uma vez que não é possível cortar as despesas públicas voltadas aos gastos com pessoal, é preciso aumentar a receita e ter maior controle das despesas com os servidores estaduais.

Ele lembra que, em 2019, o Governo atual iniciou a gestão em um cenário de 63% dos gastos com pessoal. Mesmo que o Estado tenha buscado o maior controle do crescimento desse percentual, as leis complementares 192/2022 e 194/2022 foram prejudiciais ao cenário fiscal do Estado.

Prestação de serviços e pagamento de salários

Questionado sobre o reflexo do aumento da alíquota em benefícios à população, ele reiterou que o Estado vem enfrentando uma ‘crise’ e não é possível culpar a Secretaria de Saúde Pública (Sesap/RN), por exemplo, pelos problemas nos serviços de saúde. “A Sesap enfrenta uma crise hoje, devido a uma crise financeira do Estado que se agravou muito este ano. Só estamos honrando a folha de pagamento e pagando nossos fornecedores com um grande atraso. Só vamos fechar o 13º porque vamos ter um apoio do Governo Federal”, complementa.

Os recursos federais em questão, segundo Cadu Xavier, se referem a direitos que o Estado vinha acumulando ao longo dos anos e agora estão sendo pleiteados. A expectativa é que sejam atraídos cerca de R$ 500 a R$ 600 milhões para a folha. “A gente tem recebido recursos extras na saúde e estamos buscando formas legais. São receitas que o Estado tem direito há muito tempo e estão acumuladas. Estamos pleiteando para que sejam resolvidas agora”, observa.

Somado ao aumento do ICMS, outro projeto do pacote fiscal do Estado é o que prevê a isenção da cobrança de IPVA apenas para veículos com mais de 15 anos de fabricação – atualmente, a isenção ocorre após 10 anos. Aliado a isso, o imposto também deve ser aplicado para carros elétricos, que hoje são isentos. A proposta é começar em 0,5% sobre o valor do veículo em 2025, subindo 0,5 ponto por ano até atingir 3%.

De acordo com o titular da Sefaz, incluindo o Rio Grande do Norte, o Brasil só conta com três estados que isentam com 10 anos. Apesar da proposta de mudança, ele esclarece que o público já beneficiado pela isenção não será prejudicado. “É um ponto que precisa ser esclarecido. [Se você] tem um carro que já tem a isenção, não vai perder, [pois a tributação vai incidir naqueles que vão completar 10 anos]”, completa.

Eu vi na Tribuna do Norte

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Caern trabalha em novo reparo emergencial para normalizar abastecimento em Apodi

Equipes de manutenção da Caern estão empenhadas em um novo reparo na rede de distribuição de Apodi. O trabalho é essencial para normalizar o...