Discussão sobre hospitais e prestação do serviço
alimentam embate entre Álvaro Dias, Allyson Bezerra e o governismo liderado por
Cadu Xavier
A saúde pública virou o principal tema da pré-campanha ao
Governo do Rio Grande do Norte. Nas últimas semanas, pré-candidatos e seus
aliados passaram a travar uma disputa de narrativa em torno de temas como
qualidade do serviço público no Estado, entregas, atrasos e projetos em
andamento.
O embate envolve, principalmente, o ex-prefeito de Natal
Álvaro Dias (PL), o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União) e o
ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier (PT) — que são adversários na
corrida para o governo. Cada um busca consolidar sua imagem a partir de
realizações e críticas aos adversários, tendo como pano de fundo a demanda por
melhorias na assistência à saúde no Estado.
Álvaro Dias tem sido um dos principais alvos dos
questionamentos, em razão da situação do Hospital Municipal de Natal. A unidade
foi inaugurada oficialmente no fim de 2024, mas nunca entrou em funcionamento
pleno. Mais de um ano depois da solenidade de inauguração, o equipamento segue
em obras na Avenida Omar O’Grady, na Zona Sul da capital.
Em visita ao local na semana passada, Cadu Xavier
classificou o hospital como um exemplo de obra inconclusa e criticou o
ex-prefeito de Natal por ter inaugurado o equipamento sem condições de
funcionamento.
“Estamos aqui no Hospital Municipal. Mais uma obra
inacabada do ex-prefeito Álvaro Dias. Esse hospital aqui, que nem está
funcionando nem está pronto, foi inaugurado há mais de um ano pelo ex-prefeito
de Natal. Para de mentir, prefeito”, afirmou Cadu em vídeo divulgado nas redes
sociais.
A crítica integra a estratégia do campo governista de
enquadrar Álvaro Dias como mau gestor. Além do Hospital Municipal, Cadu Xavier
tem citado outras obras inauguradas pelo ex-prefeito sem estarem totalmente
acabadas, como o Mirante da Ladeira do Sol, a engorda da praia de Ponta Negra e
o Complexo Turístico da Redinha.
Álvaro Dias rebate as acusações e nega que projetos
tenham sido abandonados em Natal. “Existem obras em execução, com contratos
vigentes e recursos assegurados”, afirmou Álvaro, em nota divulgada na semana
passada. “Classificar obra em execução como ‘inacabada’ é desconhecimento
técnico ou má-fé política”, declarou.
Especificamente sobre o Hospital Municipal, Álvaro Dias
afirmou, em entrevista à Band RN no dia 7, que a unidade depende apenas de
“alguns ajustes” para abrir ao público e iniciar os atendimentos. “Eu falei com
Paulinho Freire (atual prefeito de Natal). Ele disse que, na primeira semana de
junho, estará funcionando”, acrescentou.
Na área da saúde, Álvaro Dias também tem destacado o
trabalho realizado durante a pandemia de Covid-19, quando sua gestão abriu
centros de atendimento pela cidade e instalou um hospital de campanha na Via
Costeira.
Hospital de Mossoró como vitrine
Enquanto Álvaro Dias se defende das críticas, Allyson
Bezerra utiliza a inauguração do Hospital Municipal de Mossoró Francisca
Conceição da Silva como uma das principais vitrines de sua administração.
A unidade tem 1,7 mil metros quadrados de área construída
e começou a realizar consultas, exames e cirurgias no dia seguinte à
inauguração, em janeiro deste ano. A entrega passou a ser explorada
politicamente como exemplo de gestão eficaz e compromisso com resultados
concretos.
Ao comentar a diferença entre os projetos hospitalares de
Mossoró e Natal, Allyson tem sido enfático em defender que obras públicas devem
ser entregues apenas quando estiverem prontas para funcionar. “Não entrego obra
pela metade”, afirmou o ex-prefeito.
Em entrevista à Band RN também na semana passada, Allyson
subiu o tom e chegou a classificar Álvaro Dias como o “prefeito das meias
obras”. “Como é que se inaugura um hospital e hoje, depois de um ano e três
meses, esse hospital não fez um exame de sangue, não fez um exame de urina, não
verificou a pressão de ninguém, não fez nem sequer uma cirurgia, não fez
nada?”, afirmou.
“Em Mossoró não é propaganda. Inaugurei na quinta-feira à
noite. Na sexta-feira pela manhã, o hospital já estava funcionando”, afirmou.
Governismo aposta no Hospital Metropolitano
Paralelamente, o governo estadual, liderado pela
governadora Fátima Bezerra (PT), busca consolidar sua própria narrativa na área
da saúde por meio da construção do Hospital Metropolitano do Rio Grande do
Norte, em Emaús, no município de Parnamirim. A obra é apontada como estratégica
para reorganizar a rede hospitalar e reduzir a pressão sobre o Hospital
Walfredo Gurgel, principal unidade de urgência e emergência do Estado.
Com investimento superior a R$ 200 milhões e recursos
vinculados ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o equipamento
deverá contar com 350 leitos e estrutura voltada à média e alta complexidade.
Na semana passada, os secretários Alexandre Motta (Saúde)
e Gustavo Coelho (Infraestrutura) convidaram a imprensa para uma visita às
obras do hospital para mostrar que os serviços estão em execução. Foi uma
reação ao deputado estadual de oposição Gustavo Carvalho (PL), que denunciou na
Assembleia Legislativa que as obras estavam paralisadas.
Rede estadual de saúde
Em meio à pré-campanha, o governo estadual também é
frequentemente criticado pelas condições estruturais precárias de unidades como
o Hospital Walfredo Gurgel e por atrasos no pagamento de fornecedores da saúde
— o que leva à suspensão da oferta de serviços.
Em entrevista à Band RN, Álvaro Dias declarou na semana
passada que a saúde pública do Rio Grande do Norte está “sucateada”. “Você vai
no Hospital Walfredo Gurgel e as macas continuam nos corredores, como há 7
anos, quando a professora Fátima Bezerra começou o seu governo. Por que ela não
fez um investimento necessário e não solucionou o problema? Por incompetência.
Temos os hospitais regionais. Se o governo investisse, levasse especialidades
médicas, dotasse com infraestrutura, com treinamento, equipamentos e
medicamentos, o Walfredo Gurgel não vivia superlotado. Os casos seriam
resolvidos na origem. O problema é que os hospitais regionais estão sucateados,
porque o governo deixou de investir”, afirmou o ex-prefeito de Natal.
Além de citar a obra do Hospital Metropolitano, o governo
iniciou uma campanha publicitária em que afirma que a saúde pública está
“melhor” do que antes. Além do Hospital Metropolitano, a gestão estadual cita
outros investimentos para fundamentar a narrativa. De acordo com a Secretaria
de Saúde Pública (Sesap), entre 2019 e 2025, o número de leitos de UTI adulto
saiu de 98 para 220 no RN.
Além disso, o governo tem citado investimentos como
reformas em hospitais, criação da barreira ortopédica de Macaíba, a abertura do
Hospital da Mulher e a construção de policlínicas.
Fonte: Agora RN