terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Câncer de pâncreas em debate após a morte da atriz Titina Medeiros

A atriz potiguar Titina Medeiros, conhecida por papéis marcantes em novelas como Cheias de Charme e No Rancho Fundo, morreu no domingo (11), aos 49 anos, vítima de um câncer no pâncreas. Ela vinha tratando a doença desde 2025, mas o câncer progrediu de forma agressiva, levando ao seu falecimento em Natal. A morte precoce da atriz reforça a urgência de entender melhor o câncer de pâncreas, um dos tipos mais letais e silenciosos entre as neoplasias malignas.

O pâncreas corresponde a uma glândula, localizada atrás do estômago, que produz enzimas digestivas e hormônios reguladores do açúcar no sangue, sendo dividido em 3 porções: cabeça, corpo e cauda. Quando células anormais crescem de forma descontrolada no tecido pancreático, formam um tumor, que pode invadir órgãos vizinhos e se disseminar pelo organismo, desenvolvendo metástases.

Principais sintomas:

O câncer de pâncreas habitualmente não causa sintomas nas fases iniciais, o que dificulta sua detecção precoce. Com isso, muitos casos são diagnosticados apenas quando o câncer já está em estágio avançado. Entre os sinais que podem surgir, destacam-se:

Dor no andar superior do abdome ou nas costas, persistente ou intensa; Perda de peso involuntária, fadiga; Icterícia (pele e olhos amarelados), decorrente da obstrução do ducto biliar pelo tumor; Alterações digestivas, como perda de apetite, náuseas ou fezes claras; Diabetes súbita ou piora de diabetes já existente.

“O câncer de pâncreas é considerado uma das neoplasias mais agressivas por diversos motivos”, alerta a médica oncologista Dra. Recídia Rebouças (CRM 5.645 RN – RQE 2120). “Podemos destacar os seguintes pontos”:


Diagnóstico tardio: uma vez que os sintomas são inespecíficos e frequentemente surgem apenas quando o tumor já se encontra avançado, reduzindo as chances de tratamento curativo.

Localização estratégica: o pâncreas está situado em uma área de difícil acesso, o que dificulta a detecção precoce por exames de rotina, como também a ressecção cirúrgica.

Propensão à metástase: as células cancerígenas pancreáticas tendem a invadir tecidos próximos e disseminarem-se rapidamente para fígado, pulmões e outros órgãos.

Resistência a tratamentos: mesmo com avanços recentes nos tratamentos oncológicos (quimioterapia, imunoterapia e radioterapia), muitos tumores pancreáticos apresentam resistência aos medicamentos, resultando em prognósticos desfavoráveis.

Tratamentos existentes

O tratamento do câncer de pâncreas depende do estágio no momento do diagnóstico e do estado geral de saúde do paciente:

Cirurgia: quando o tumor está localizado e operável, procedimentos como a Duodenopancreatectomia podem ser realizados com intenção curativa.

Quimioterapia: utilizada para reduzir tumores maiores ou tratar doença metastática. Protocolos modernos combinam diferentes agentes para melhorar a resposta.

Radioterapia: pode ser usada em combinação com quimioterapia para controlar tumores localizados.

Terapias-alvo e imunoterapia: tratamentos baseados em mutações específicas ou que estimulam o sistema imune e podem ser consideradas em casos selecionados.

Ainda que existam opções terapêuticas, o prognóstico geral continua reservado, especialmente nos casos diagnosticados tardiamente.

“Importância de conscientização e diagnóstico precoce. Para reduzir o risco de câncer de pâncreas, é importante a adoção de um estilo de vida saudável: não fumar (principal fator de risco para a doença), controle de peso, evitar uso de bebidas alcoólicas e o controle de doenças crônicas, sobretudo o diabetes, além de acompanhamento especializado em casos com histórico familiar”, argumenta a Dra. Recídia.

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