A atriz potiguar Titina Medeiros, conhecida por papéis
marcantes em novelas como Cheias de Charme e No Rancho Fundo, morreu no domingo
(11), aos 49 anos, vítima de um câncer no pâncreas. Ela vinha tratando a doença
desde 2025, mas o câncer progrediu de forma agressiva, levando ao seu
falecimento em Natal. A morte precoce da atriz reforça a urgência de entender
melhor o câncer de pâncreas, um dos tipos mais letais e silenciosos entre as
neoplasias malignas.
O pâncreas corresponde a uma glândula, localizada atrás
do estômago, que produz enzimas digestivas e hormônios reguladores do açúcar no
sangue, sendo dividido em 3 porções: cabeça, corpo e cauda. Quando células
anormais crescem de forma descontrolada no tecido pancreático, formam um tumor,
que pode invadir órgãos vizinhos e se disseminar pelo organismo, desenvolvendo
metástases.
Principais sintomas:
O câncer de pâncreas habitualmente não causa sintomas nas
fases iniciais, o que dificulta sua detecção precoce. Com isso, muitos casos
são diagnosticados apenas quando o câncer já está em estágio avançado. Entre os
sinais que podem surgir, destacam-se:
Dor no andar superior do abdome ou nas costas,
persistente ou intensa; Perda de peso involuntária, fadiga; Icterícia (pele e
olhos amarelados), decorrente da obstrução do ducto biliar pelo tumor;
Alterações digestivas, como perda de apetite, náuseas ou fezes claras; Diabetes
súbita ou piora de diabetes já existente.
“O câncer de pâncreas é considerado uma das neoplasias
mais agressivas por diversos motivos”, alerta a médica oncologista Dra. Recídia
Rebouças (CRM 5.645 RN – RQE 2120). “Podemos destacar os seguintes pontos”:
Diagnóstico tardio: uma vez que os sintomas são inespecíficos e frequentemente surgem apenas quando o tumor já se encontra avançado, reduzindo as chances de tratamento curativo.
Localização estratégica: o pâncreas está situado em uma
área de difícil acesso, o que dificulta a detecção precoce por exames de
rotina, como também a ressecção cirúrgica.
Propensão à metástase: as células cancerígenas pancreáticas
tendem a invadir tecidos próximos e disseminarem-se rapidamente para fígado,
pulmões e outros órgãos.
Resistência a tratamentos: mesmo com avanços recentes nos
tratamentos oncológicos (quimioterapia, imunoterapia e radioterapia), muitos
tumores pancreáticos apresentam resistência aos medicamentos, resultando em
prognósticos desfavoráveis.
Tratamentos existentes
O tratamento do câncer de pâncreas depende do estágio no
momento do diagnóstico e do estado geral de saúde do paciente:
Cirurgia: quando o tumor está localizado e operável,
procedimentos como a Duodenopancreatectomia podem ser realizados com intenção
curativa.
Quimioterapia: utilizada para reduzir tumores maiores ou
tratar doença metastática. Protocolos modernos combinam diferentes agentes para
melhorar a resposta.
Radioterapia: pode ser usada em combinação com
quimioterapia para controlar tumores localizados.
Terapias-alvo e imunoterapia: tratamentos baseados em
mutações específicas ou que estimulam o sistema imune e podem ser consideradas
em casos selecionados.
Ainda que existam opções terapêuticas, o prognóstico
geral continua reservado, especialmente nos casos diagnosticados tardiamente.
“Importância de conscientização e diagnóstico precoce. Para reduzir o risco de câncer de pâncreas, é importante a adoção de um estilo de vida saudável: não fumar (principal fator de risco para a doença), controle de peso, evitar uso de bebidas alcoólicas e o controle de doenças crônicas, sobretudo o diabetes, além de acompanhamento especializado em casos com histórico familiar”, argumenta a Dra. Recídia.
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