Os investimentos em saneamento devem ser tratados pelo
Estado como uma Estratégia de Saúde Pública de prioridade máxima, e não apenas
como um projeto de infraestrutura de engenharia. A alocação de recursos em água
potável e esgoto é, comprovadamente, a forma mais eficiente e preventiva de
reduzir a carga de doenças e a sobrecarga do sistema hospitalar, gerando um
retorno econômico e social que supera em muito o custo inicial da obra.
O Retorno Insuperável do Investimento Preventivo
A Relação 1:4 (Custo-Benefício): Estudos econômicos
internacionais e brasileiros demonstram consistentemente que, para cada R$1,00
investido em saneamento básico, há uma economia estimada de R$4,00 em despesas
com saúde. Isso inclui gastos diretos com internações, medicamentos, consultas
médicas, e gastos indiretos, como a perda de produtividade do trabalhador e de
dias escolares. Do ponto de vista fiscal, é um investimento que se paga.
Redução da Mortalidade e Morbidade: O principal resultado
é a redução drástica das doenças de veiculação hídrica (diarréia, febre
tifóide, hepatite A), que são as que mais levam crianças a óbito. O saneamento
é a intervenção de saúde que mais reduz a mortalidade infantil.
Liberação de Leitos Hospitalares: A queda na incidência
de doenças de saneamento transfere o foco do sistema de saúde da urgência e
emergência (tratamento de diarreia grave, por exemplo) para doenças crônicas ou
mais complexas, otimizando a alocação de leitos e profissionais de saúde.
Aumento da Produtividade e Capacidade Cognitiva:
Trabalhadores saudáveis e que não perdem dias de trabalho por causa de doenças
evitáveis são mais produtivos. Crianças saudáveis e que não sofrem com
infecções intestinais crônicas têm um melhor desenvolvimento cognitivo e maior
capacidade de aprendizado. O saneamento é a base da saúde preventiva que eleva
o capital humano de longo prazo de uma nação.
Estratégia Integrada de Financiamento
A política pública deve integrar os investimentos,
garantindo que o dinheiro gasto em saúde seja direcionado para a causa das
doenças:
Fundos de Saúde para Saneamento: É crucial criar
mecanismos onde parte dos recursos economizados no orçamento da saúde seja
direcionada para o financiamento de obras de saneamento em áreas de alto risco
epidemiológico.
Mapeamento de Prioridades: O investimento em saneamento
deve ser guiado por um mapa de risco epidemiológico, priorizando as áreas onde
a falta de água e esgoto está causando o maior número de internações e mortes,
maximizando o retorno social do investimento.
Obras
Tratar o saneamento como uma Estratégia de Saúde
significa reconhecer que a prevenção, feita pelo cano de esgoto e pela torneira
de água, é sempre mais eficaz, mais barata e mais humana do que a cura feita
pelo hospital.
Fonte: Izabelly Mendes.
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