quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Investimentos em Saneamento como Estratégia de Saúde

Os investimentos em saneamento devem ser tratados pelo Estado como uma Estratégia de Saúde Pública de prioridade máxima, e não apenas como um projeto de infraestrutura de engenharia. A alocação de recursos em água potável e esgoto é, comprovadamente, a forma mais eficiente e preventiva de reduzir a carga de doenças e a sobrecarga do sistema hospitalar, gerando um retorno econômico e social que supera em muito o custo inicial da obra.

O Retorno Insuperável do Investimento Preventivo

A Relação 1:4 (Custo-Benefício): Estudos econômicos internacionais e brasileiros demonstram consistentemente que, para cada R$1,00 investido em saneamento básico, há uma economia estimada de R$4,00 em despesas com saúde. Isso inclui gastos diretos com internações, medicamentos, consultas médicas, e gastos indiretos, como a perda de produtividade do trabalhador e de dias escolares. Do ponto de vista fiscal, é um investimento que se paga.

Redução da Mortalidade e Morbidade: O principal resultado é a redução drástica das doenças de veiculação hídrica (diarréia, febre tifóide, hepatite A), que são as que mais levam crianças a óbito. O saneamento é a intervenção de saúde que mais reduz a mortalidade infantil.

Liberação de Leitos Hospitalares: A queda na incidência de doenças de saneamento transfere o foco do sistema de saúde da urgência e emergência (tratamento de diarreia grave, por exemplo) para doenças crônicas ou mais complexas, otimizando a alocação de leitos e profissionais de saúde.

Aumento da Produtividade e Capacidade Cognitiva: Trabalhadores saudáveis e que não perdem dias de trabalho por causa de doenças evitáveis são mais produtivos. Crianças saudáveis e que não sofrem com infecções intestinais crônicas têm um melhor desenvolvimento cognitivo e maior capacidade de aprendizado. O saneamento é a base da saúde preventiva que eleva o capital humano de longo prazo de uma nação.

Estratégia Integrada de Financiamento

A política pública deve integrar os investimentos, garantindo que o dinheiro gasto em saúde seja direcionado para a causa das doenças:

Fundos de Saúde para Saneamento: É crucial criar mecanismos onde parte dos recursos economizados no orçamento da saúde seja direcionada para o financiamento de obras de saneamento em áreas de alto risco epidemiológico.

Mapeamento de Prioridades: O investimento em saneamento deve ser guiado por um mapa de risco epidemiológico, priorizando as áreas onde a falta de água e esgoto está causando o maior número de internações e mortes, maximizando o retorno social do investimento.           Obras

Tratar o saneamento como uma Estratégia de Saúde significa reconhecer que a prevenção, feita pelo cano de esgoto e pela torneira de água, é sempre mais eficaz, mais barata e mais humana do que a cura feita pelo hospital.

Fonte: Izabelly Mendes.


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