Na projeção da consultoria PSR, a tarifa de energia
residencial deve subir quatro pontos percentuais acima da inflação, ou seja, na
casa de 7,95% — analistas de mercado trabalham com IPCA, índice oficial de
preços, de 3,95%, segundo dados do último boletim Focus. Algumas regiões do país
podem ter reduções pontuais, enquanto outras podem registrar aumentos mais
expressivos. As informações são do jornal O GLOBO.
— Os fatores que atuam para elevar a conta de luz são o
custo de acionamento das térmicas, o risco hidrológico pago em contratos com
hidrelétricas e o acionamento de bandeiras tarifárias. Todos tendem a se
agravar em cenário hidrológico desfavorável e forte demanda, por exemplo,
devido ao aumento da temperatura — diz o diretor-presidente da PSR, Luiz
Augusto Barroso.
Há três cores de bandeira: verde, amarela e vermelha, com
variações de custo para o consumidor. Entre junho e novembro do ano passado,
ela ficou entre vermelha patamar 1 e vermelha patamar 2, que representa o maior
acréscimo à conta de luz. Hoje, está em vigor a bandeira verde, sem cobranças
adicionais. A possibilidade do fenômeno El Niño, que aquece as águas do
Pacífico, causando seca no Norte e Nordeste do Brasil, pode mudar esse cenário.
— Estamos com os reservatórios abaixo da média histórica
e existe a expectativa de passarmos do fenômeno La Niña para El Niño ao longo
do ano, fato que aumenta a variabilidade dos cenários possíveis para as chuvas
em 2026. A nossa projeção leva em consideração a hipótese de bandeira amarela
em dezembro, mas se fecharmos em bandeira vermelha 2, a energia fecharia o ano
com alta de cerca de 12%.
Na última reunião do Comitê de Monitoramento do Setor
Elétrico (CMSE), na quarta-feira, o colegiado destacou que as chuvas
registradas neste início de ano vieram acima da média, o que contribuiu para um
aumento nos níveis dos reservatórios das regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste.
Na última sexta, os níveis de armazenamento alcançaram
54,8% no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, 45% no Sul, 64,8% no Nordeste e 63,8%
no Norte, resultando em um nível de volume considerado satisfatório no Sistema
Interligado Nacional (SIN).
“O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ressaltou
que irá manter o acompanhamento da evolução do período chuvoso e das condições
hidrológicas e de armazenamento, especialmente na bacia do Rio Paraná e na
Região Sul, com enfoque na estratégia de redução da inflexibilidade hidráulica
no SIN, que visa recuperar os armazenamentos dos reservatórios de
hidrelétricas”, disse o Ministério de Minas e Energia.
Ainda assim, os especialistas avaliam que essa situação
pode mudar em alguns meses, quando começa o período seco, levando o ONS a ter
de acionar mais térmicas.
Outro ponto que pesa na conta de luz é a Conta de
Desenvolvimento Energético (CDE), um superfundo que cobre os subsídios do setor
elétrico. Esses valores são pagos principalmente pelos consumidores por meio das
tarifas de energia. Para 2026, estão previstos R$ 47,8 bilhões em subsídios.
Esse fundo financia, por exemplo, descontos concedidos a pessoas de baixa
renda, famílias em área rural e irrigantes — unidades de consumo que utilizam
energia elétrica exclusivamente para irrigação ou aquicultura.
Levantamento da Associação dos Comercializadores de
Energia (Abraceel) mostra que a alta do preço da tarifa de energia acima da
inflação é um fenômeno que vem sendo observado na última década. Nos últimos 15
anos, o preço da conta de luz aumentou em 177%, para uma inflação que avançou
122% no período.
No ano passado, energia elétrica residencial subiu
12,31%, segundo o IBGE. Foi o subitem de maior impacto individual no IPCA, que
fechou 2025 em 4,26%. O aumento só não foi maior porque o governo aplicou R$
2,2 bilhões em descontos na tarifa a partir de um bônus da Usina Hidrelétrica
de Itaipu. Considerando apenas o megawatt-hora, o custo de energia atingiu R$
786,76, o maior desde 2011, segundo dados da Agência Nacional de Energia
Elétrica.
— O aumento dos preços de energia impacta negativamente
os custos de produção e aumenta o custo de vida das famílias — ressalta
Serrano.
— Os fatores que podem reduzir a tarifa são de duas
naturezas. Uma delas é de mercado, mais chuvas, menor demanda e maior produção
(de fonte) renovável. O governo também possui uma ferramenta importante que
pode ajudar a atenuar esses aumentos, que é a arrecadação oriunda da renovação
antecipada das concessões de geração que expiram nos próximos anos. Esta
receita, caso obtida, reduziria a CDE e, portanto, as tarifas — afirma Barroso,
da PSR.
O aumento da conta de luz ocorre, ironicamente, num
momento em que o Brasil tem excesso de energia, com capacidade de geração do
sistema elétrico maior do que a demanda. Esse descasamento leva a cortes na
produção de fontes renováveis, como solar e eólica, pelo ONS. A medida evita
sobrecargas que possam gerar apagões.
Para manter o equilíbrio do sistema, o ONS interrompe
preferencialmente parques eólicos e solares, causando perdas financeiras para
as empresas, mesmo em meio à alta da energia. No ano passado, o sistema
elétrico brasileiro descartou cerca de 20% de toda a energia solar e eólica que
poderia ter sido gerada, segundo cálculos da consultoria Volt Robotics. Esses
cortes de geração levaram a um prejuízo de R$ 6,5 bilhões aos empreendimentos.
Fonte: Blog do Magno Martins
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