terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

EUA: nova alíquota beneficia exportações do RN, mas cenário é de incertezas

No Rio Grande do Norte, vários setores, sobretudo os da pesca e do sal, foram afetados pelo tarifaço do governo de Donald Trump| Foto: Magnus Nascimento

As mudanças nas tarifas anunciadas pelo governo de Donald Trump irão beneficiar o Brasil, embora o cenário ainda seja de incertezas para os setores do RN afetados pelo chamado tarifaço. Na sexta-feira (20), o presidente americano fixou em 10% a nova tarifa global, elevando-a para 15% no dia seguinte, após a Suprema Corte dos EUA derrubar a taxação de 50% imposta a parceiros comerciais no ano passado. Um relatório da Global Trade Alert, organização independente que monitora políticas de comércio internacional, aponta que, com a mudança, o Brasil terá a maior redução nas tarifas médias, com queda de 13,6 pontos percentuais.

Em seguida, a China (recuo de 7,1 pontos) e a Índia (queda de 5,6 pontos) serão os países mais beneficiados, conforme a análise. A previsão é de que a nova taxa entre em vigor nesta terça-feira (24), válida para todos os mercados que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos.

Para o economista Ricardo Valério, a mudança vai trazer competitividade ao Brasil e, consequentemente, às exportações do Rio Grande do Norte, especialmente para setores ainda fortemente atingidos pelo tarifaço.


Ricardo Valério: economista| Foto: Adriano Abreu

“O Brasil já tinha conseguido alguns avanços, mas nós ainda tínhamos quase 44% das nossas exportações afetadas pela taxação de 50%. Com a alíquota de 15%, ao menos, não perdemos competitividade, uma vez que a nova tarifa será linear para todos os países. Um ponto é que essa nova medida é válida por 150 dias. Isso significa que, passado esse período, se Trump não encontrar outra saída, estaremos livres do tarifaço”, explicou o economista.

Para as exportações potiguares, argumenta Ricardo Valério, a mudança chega em boa hora para itens importantes da pauta, como pescado e sal marinho, que ficaram de fora das negociações que retiraram o tarifaço para alguns produtos em novembro do ano passado, e seguiam sob a taxação de 50%. “Agora, abre-se uma nova perspectiva para esses setores que vinham sofrendo muito”, fala o Ricardo Valério.

Arimar França Filho, presidente do Sindicato da Indústria da Pesca do Rio Grande do Norte (Sindipesca-RN), reconhece que o Brasil será beneficiado, mas avalia que o sentimento que cerca o setor é de incerteza.

“Há um otimismo em alta, principalmente porque a situação da nossa cadeia está muito complicada, mas o setor todo ainda espera para saber o que vai acontecer, uma vez que a medida foi tomada recentemente. Nossos clientes não sabem muito bem o que vai acontecer”, destaca Arimar França.

Para Airton Torres, presidente do Sindicato das Indústrias de Extração de Sal do Estado do Rio Grande do Norte (Siesal-RN), a situação é de cautela. “A gente não sabe o que vai acontecer nesses 150 dias e também ainda não há um posicionamento dos nossos exportadores. Eu diria que o momento é de muita incerteza, porque a cadeia do sal trabalha com contratos longos e é exatamente essa a dificuldade: o setor está sem condições de tomar decisões de longo prazo”, comentou Airton Torres.

A imposição das tarifas de 15% foi adotada pelo governo dos EUA depois que a Suprema Corte do país derrubou, por 6 votos a 3, o chamado tarifaço. O governo brasileiro comemorou a mudança. “Mesmo com a alíquota de 15%, como é igual para todo mundo, não perdemos competitividade. Em alguns setores, como combustível, carne, café, celulose, suco de laranja, aeronaves, ela [a alíquota] zerou”, disse o vice-presidente Geraldo Alckmin.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que acompanha com “atenção e cautela” os desdobramentos relacionados à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as tarifas do presidente Donald Trump.

“Acompanhamos a decisão de hoje com atenção e cautela. O impacto de uma medida como essa no comércio brasileiro é significativo, tendo em vista a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos”, disse Ricardo Alban, presidente da CNI, em nota.

Fonte: Tribuna do Norte


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