Por intermédio de uma sonda, a Petrobras deve iniciar a
perfuração do poço em junho, ação que deve durar até três meses| Foto:
Divulgação/Petrobras
O recente anúncio da renovação da licença de operação
para o poço Mãe de Ouro, localizado a 52 quilômetros da costa de Areia Branca,
animou o setor de petróleo e gás no Rio Grande do Norte. Segundo Hugo Fonseca,
secretário interino de Desenvolvimento Econômico do RN, o impacto econômico da
produção de petróleo pode chegar a 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do
estado, caso seja confirmada a viabilidade de um cluster petrolífero. As
operações devem iniciar em 2030.
Na última quinta-feira (26), a Petrobras renovou a
licença de operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama) para a perfuração dos poços Mãe de Ouro, Inhame e
Taianga. As descobertas em águas profundas, que incluem ainda os poços Pitu
Oeste e Anhangá, podem viabilizar a formação do cluster petrolífero no estado.
Caso seja confirmada a viabilidade, a produção do cluster pode ser de até 100
mil barris-dias de produção, aponta Fonseca. O volume produzido pelo conjunto
pode ser até três vezes maior do que toda a produção registrada em dezembro de
2025, quando o RN teve o pior patamar de produção de petróleo e gás em 40 anos
– 33 mil barris, segundo a Agência Nacional do Petróleo.
“A Petrobras já tinha indicado para o Governo do Estado
que tinha encontrado ocorrência de petróleo e que precisava perfurar um
terceiro poço para dar viabilidade. Para isso, precisava da autorização do
Ibama, mas tinha a discussão ambiental”, relata Fonseca.
A Petrobras deve iniciar em junho a perfuração do poço, usando uma sonda. O
cronograma prevê até três meses de perfuração, seguidos por seis meses de
análises técnicas e validação da viabilidade comercial junto à Agência Nacional
de Petróleo (ANP).
Tendo a capacidade de produção estimada, a Petrobras deve construir uma plataforma
para atender à produção esperada. A operação deve marcar o retorno de
investimentos da companhia no estado. Fonseca explica que a construção da
plataforma teria prazo estimado de três a quatro anos, o que pode viabilizar o
início das operações entre 2030 e 2031, a depender da agilidade dos contratos e
da logística de fabricação da unidade.
O investimento projetado pode ultrapassar os R$ 5
bilhões, impulsionando a cadeia de petróleo e gás com foco em duas frentes: o
aporte de R$ 1,5 bilhão para o arrasamento de mais de mil poços terrestres,
anunciado em reunião entre a Petrobras e o Governo na última semana, e outros
R$ 2 bilhões voltados ao desenvolvimento do cluster offshore na Margem
Equatorial potiguar.
Além disso, as operações devem significar mais emprego, o que gera demanda de
qualificação. Segundo o diretor do SENAI-RN e do Instituto SENAI de Inovação em
Energias Renováveis, Rodrigo Mello, o empreendimento pode gerar demanda de
profissionais em áreas como automação, mecânica e segurança do trabalho.
“Estamos aguardando o desenrolar da conclusão desses
estudos de que trata a licença para que a companhia que vai explorar faça uma
previsão de início de suas atividades. Assim que fizer, nós temos uma
capacidade instalada muito interessante de profissionais voltados a esse
setor”, diz Mello.
Na avaliação do SindiPetro-RN (Sindicato dos Petroleiros do RN), o poço Mãe de
Ouro pode representar a “redenção do estado” em termos de produção e
investimentos em óleo e gás. Segundo o coordenador-geral da entidade, Marcos
Brasil, a expectativa é que, após o início da exploração em junho e a
confirmação do potencial de produção, a Petrobras realize Testes de Longa
Duração (TLD) para validar a consistência do reservatório.
Isso pode gerar a criação de milhares de empregos diretos
e indiretos. Além da estimativa de 500 a 1.000 pessoas envolvidas na fase de
perfuração, uma eventual produção comercial demandará sondas permanentes,
construção de oleodutos e contratação de fretes marítimos para transportar o
óleo até as refinarias de Guamaré (RN) ou Abreu e Lima (PE).
“Esse movimento vai aquecer o setor hoteleiro e de alimentação na Costa Branca,
além de mais que dobrar a arrecadação de royalties e aumentar o ICMS e o ISS
para o estado e municípios”, projeta Marcos Brasil.
O setor de óleo e gás onshore (em terra) é responsável por cerca de 40% do PIB
industrial do Rio Grande do Norte e participa em 23% na arrecadação de ICMS no
Estado, segundo levantamento do Sebrae-RN (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro
e Pequenas Empresas).
Fonte: Tribuna do Norte
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