quarta-feira, 1 de abril de 2026

RN tem 2º pior resultado do País na geração de empregos em fevereiro

Entre os grupamentos econômicos, o da agropecuária foi o que teve o pior resultado em fevereiro, com -2.152 vagas formais| Foto: Junior Santos/arquivo tn

O Rio Grande do Norte foi o segundo estado com maior perda de postos de trabalho formais em fevereiro de 2026, com saldo de -2.221 empregos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) divulgados nesta terça-feira (31). O resultado representa uma queda de 184% em relação a fevereiro de 2025, quando o RN havia criado 2.638 novas vagas, indicando uma reversão no mercado de trabalho, que passou de geração para fechamento de vagas.

Apenas três estados tiveram saldo negativo na geração de emprego em fevereiro deste ano: RN, Alagoas (-3.023) e Paraíba (-1.186). O saldo registrado no RN em fevereiro foi resultado de 19.084 admissões e 21.305 desligamentos.

Três dos cinco grupamentos de atividades econômicas tiveram resultado negativo no estado em fevereiro de 2026: agropecuária (-2.152), indústria (-1.012) e construção (-92). Por outro lado, os outros dois setores evitaram um resultado ainda pior: comércio criou 175 novas vagas, e serviços registrou saldo positivo de 861 postos de trabalho.

O resultado do RN na geração de empregos em fevereiro de 2026 contrasta significativamente com o do mesmo mês do ano passado, quando o saldo potiguar foi positivo, com geração de 2.638 vagas (23.044 admissões e 20.406 desligamentos) e desempenho positivo em três setores, com destaque para o de Serviços, que terminou o mês com um saldo de 2.489 vagas. Na sequência, vêm Construção (733) e Comércio (586). Os setores de Indústria e Agricultura apresentaram saldo negativo, com menos 122 e 1.048 vagas, respectivamente.

O salário médio real de admissão no estado em fevereiro de 2026 foi de R$ 2.010,22. O saldo de empregos formais no RN foi positivo no mês de janeiro passado, com criação de 1.281 vagas. Nesse caso, a queda no saldo de empregos foi de 273% entre janeiro e fevereiro de 2026, com o mercado passando de geração para fechamento de vagas. No acumulado do ano, o saldo também é negativo (-940), com 40.143 admissões e 41.083 desligamentos.

Os dados foram divulgados pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. O Brasil teve um mês de fevereiro positivo, com 255.321 novas vagas de trabalho com carteira assinada. A criação de empregos caiu 42% em comparação a fevereiro do ano passado (440.432), pressionada pelos juros altos e pela desaceleração da economia.

Sedec: Resultado do RN é movimento conjuntural

Na avaliação da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte (Sedec-RN), os dados refletem “um movimento conjuntural que acompanha oscilações típicas do início do ano em determinados segmentos produtivos”.

“Esse comportamento é historicamente observado após o período de maior dinamismo econômico do fim de ano, quando parte das atividades realiza ajustes sazonais em seus quadros, especialmente nos setores industrial e agropecuário, que apresentaram retração no período”, diz a pasta.

Ainda segundo a Sedec-RN, no caso da agropecuária, o resultado reflete a dinâmica própria dos ciclos produtivos. Há menos contratações entre etapas da safra, sendo o fenômeno recorrente e esperado.

Já na indústria, o movimento reflete ajustes pontuais de produção e recomposição de estoques. A pasta destaca o desempenho do setor de serviços, o principal vetor de geração de empregos no estado no período analisado.

Dados por porte de empresa

O Boletim de Emprego, elaborado pelo Sebrae-RN (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Rio Grande do Norte) aponta que, em relação ao porte de empresas, as microempresas foram as que tiveram maior saldo de vagas (885).

Pequenas empresas registraram leve queda (-30 postos); médias empresas tiveram desempenho mais retraído, com -1.314 vagas; e grandes empresas tiveram o pior desempenho por porte, com o fechamento de -1.762 postos de trabalho.

Municípios com mais ganhos e perdas

Já em relação aos municípios potiguares, o boletim aponta que Natal liderou a geração de postos de trabalho (+550). Houve concentração de ganhos na região metropolitana de Natal e perdas acentuadas em municípios do interior e litoral sul.

Parnamirim teve saldo de 291 vagas; Ipanguaçu registrou 235 novas vagas; Extremoz teve 91 vagas; e Serra Negra do Norte teve 77 vagas. Na outra ponta, Baía Formosa liderou o déficit de vagas, com -897 postos; Apodi teve saldo negativo de -415 vagas; Mossoró: -400 postos; Goianinha: -286 vagas; e Arês: -258 postos.

Tribuna do Norte

Nordeste cria 11,6 mil empregos formais em fevereiro, com destaque para Serviços e Construção

O Nordeste brasileiro registrou saldo positivo de 11.629 novos postos de trabalho com carteira assinada em fevereiro, de acordo com dados do Novo Caged analisados pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O resultado, divulgado hoje, representa 4,55% do total de 255.321 empregos gerados no País no período.

No acumulado do ano, a Região já soma 20.720 empregos formais, o equivalente a 5,59% do total nacional, com média mensal de 10.360 novas vagas. O desempenho reforça a capacidade de reação do mercado de trabalho nordestino, mesmo diante de oscilações em setores importantes da economia.

Na análise por estados, a Bahia liderou a geração de empregos em fevereiro, com 6.890 novos postos, o que corresponde a 59,25% do saldo regional. Em seguida aparecem Ceará (4.316) e Sergipe (2.394). Também apresentaram resultados positivos Maranhão (2.041), Piauí (1.275) e Pernambuco (1.143). Por outro lado, Alagoas (-3.023), Rio Grande do Norte (-2.221) e Paraíba (-1.186) registraram retração no período.

O recorte setorial mostra que os segmentos de Serviços e Construção foram decisivos para o saldo positivo. Juntos, responderam pela maior parte das novas vagas criadas na Região. O setor de Serviços gerou 16.837 empregos, enquanto a Construção respondeu por 7.467 postos de trabalho.

Segundo o economista Miguel Vieira, da equipe da Sudene, o desempenho desses segmentos tem papel estratégico na sustentação do emprego formal no Nordeste. “Os setores de Serviços e Construção Civil absorvem o impacto das quedas na Indústria, na Agropecuária e no Comércio nordestinos”, destacou.

Dentro do setor de Serviços, o principal motor da geração de empregos foi a atividade de Educação, responsável por 45,69% do total do segmento na Região. Bahia, Ceará e Pernambuco concentraram 65,53% dessas vagas. “Educação lidera o setor de Serviços com a criação de 7.691 novos postos de trabalho no Nordeste”, reforçou Miguel Vieira.

Outro destaque dentro de Serviços foi o segmento de Atividades Administrativas e Serviços Complementares, que registrou saldo positivo de 2.643 empregos.

Na Construção, o crescimento foi disseminado em quase todos os estados, com destaque para Bahia (1.958), Pernambuco (1.836) e Ceará (1.425), que juntos concentraram 69,89% das vagas geradas no setor. Apenas o Rio Grande do Norte apresentou saldo negativo (-92).

Apesar do resultado geral positivo, alguns setores apresentaram retração. O Comércio registrou fechamento de 2.711 postos de trabalho, embora o desempenho represente uma melhora significativa em relação ao mês anterior (-10.124). Já a Agropecuária teve saldo negativo de -4.321 vagas, com resultado positivo apenas na Bahia, Piauí e Maranhão.

A Indústria também apresentou desempenho negativo, com saldo de -5.639 empregos. Apenas Sergipe, Bahia, Ceará e Maranhão registraram geração de vagas no setor, enquanto os demais estados tiveram perdas mais acentuadas.


Dólar fecha abaixo dos R$ 5,20 com expectativa de desescalada da guerra

Notas de real brasileiro e de dólar americano são vistas nesta ilustração tirada em 18 de dezembro de 2024. REUTERS/Amanda Perobelli/Ilustração

SÃO PAULO, 31 Mar (Reuters) - O dólar fechou a terça-feira em queda firme ante o real e novamente abaixo dos R$5,20, acompanhando o recuo quase generalizado da moeda norte-americana ante as demais divisas no exterior, em meio à expectativa de que a guerra no Oriente Médio possa desescalar.

O dólar à vista fechou em queda de 1,28%, aos R$5,1791. No acumulado de março -- que coincide com o primeiro mês da guerra de EUA e Israel contra o Irã -- o dólar subiu 0,87%. No primeiro trimestre do ano, a divisa dos EUA acumulou baixa de 5,65%.

Às 17h22, o dólar futuro para maio -- que nesta sessão passou a ser o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 1,46% na B3, aos R$5,2140.

Na primeira metade do dia, os investidores operaram no Brasil em meio à disputa pela formação da Ptax do fim de março. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros.

No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

Em função da disputa, é comum haver maior volatilidade na primeira metade da sessão, em especial nos horários próximos às janelas de coleta de valores pelo BC, às 10h, 11h, 12h e 13h. No início da tarde, a Ptax fechou em R$5,2194 na venda.

No exterior, os mercados foram novamente conduzidos pelo noticiário sobre a guerra. Na noite de segunda-feira, o Wall Street Journal havia informado que Trump disse a assessores estar disposto a encerrar a campanha militar contra o Irã, mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça em grande parte fechado.

Nesta terça-feira, relatos na imprensa indicaram que o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, teria dito que o país estava pronto para encerrar a guerra.

Embora o Irã tenha atacado durante o dia um petroleiro perto de Dubai e Trump tenha voltado a ameaçar o país, os investidores se apegaram à possibilidade de desescalada da guerra, o que se traduziu na venda do dólar em todo o mundo, incluindo no Brasil.

“O dólar operou em queda ao longo da sessão, em um movimento puxado pela melhora do apetite global por risco após sinais mais concretos de desescalada no conflito entre EUA e Irã, com Trump indicando disposição para encerrar a campanha militar mesmo com o Estreito de Ormuz parcialmente fechado”, resumiu Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.

No exterior, a moeda norte-americana se mantinha em baixa firme ante as demais divisas no fim da tarde. Às 17h20, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- recuava 0,72%, a 99,835.

(Edição de Isabel Versiani)

INSS aumenta teto e muda valores pagos a milhões de brasileiros

Reajuste de 3,90% eleva benefícios acima do salário mínimo e altera contribuições. Mudança também amplia margem do consignado e exige atenção no planejamento financeiro, já que aumento apenas repõe a inflação, sem ganho real. Agência Brasil

O reajuste aplicado pelo INSS em 2026 já começa a impactar milhões de brasileiros que recebem benefícios acima do salário mínimo. O novo teto passou a R$ 8.475,55, elevando o valor pago a parte dos aposentados e pensionistas, além de alterar a base de contribuição de quem ainda está no mercado de trabalho.

Na prática, o aumento foi de R$ 318,34 em relação ao ano anterior, o que representa uma correção de 3,90%. Esse percentual segue o índice oficial de inflação usado para benefícios acima do piso, o que significa que não há ganho real, apenas reposição do poder de compra.

Nem todos os segurados recebem o reajuste integral. Quem já recebia o benefício desde janeiro de 2025 tem direito ao aumento completo. Já aqueles que começaram a receber ao longo do ano passado terão valores corrigidos de forma proporcional, conforme o tempo de benefício.

O novo teto também impacta diretamente trabalhadores ativos, como empregados com carteira assinada, autônomos e domésticos. Com a atualização, a contribuição previdenciária passa a incidir sobre uma base maior, respeitando o modelo progressivo, no qual as alíquotas variam conforme a faixa salarial.

Outro efeito imediato aparece no crédito consignado. Como o valor do benefício aumenta, a margem disponível para empréstimos também cresce automaticamente. Isso pode facilitar o acesso ao crédito, mas exige cautela, já que o limite de comprometimento da renda continua valendo.

Para saber exatamente quanto vai receber, o segurado pode consultar o extrato atualizado pelo aplicativo ou site Meu INSS, além do telefone 135. O documento mostra o valor bruto, os descontos e o total líquido.

Apesar do reajuste trazer algum alívio no orçamento, especialistas recomendam atenção no planejamento financeiro. Como o aumento apenas acompanha a inflação, o ideal é priorizar gastos essenciais, evitar dívidas e usar o crédito com cuidado.

RN tem 2º pior resultado do País na geração de empregos em fevereiro

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