Entre os grupamentos econômicos, o da agropecuária foi o
que teve o pior resultado em fevereiro, com -2.152 vagas formais| Foto: Junior
Santos/arquivo tn
O Rio Grande do Norte foi o segundo estado com maior
perda de postos de trabalho formais em fevereiro de 2026, com saldo de -2.221
empregos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo
Caged) divulgados nesta terça-feira (31). O resultado representa uma queda de
184% em relação a fevereiro de 2025, quando o RN havia criado 2.638 novas
vagas, indicando uma reversão no mercado de trabalho, que passou de geração
para fechamento de vagas.
Apenas três estados tiveram saldo negativo na geração de
emprego em fevereiro deste ano: RN, Alagoas (-3.023) e Paraíba (-1.186). O
saldo registrado no RN em fevereiro foi resultado de 19.084 admissões e 21.305
desligamentos.
Três dos cinco grupamentos de atividades econômicas tiveram resultado negativo
no estado em fevereiro de 2026: agropecuária (-2.152), indústria (-1.012) e
construção (-92). Por outro lado, os outros dois setores evitaram um resultado
ainda pior: comércio criou 175 novas vagas, e serviços registrou saldo positivo
de 861 postos de trabalho.
O resultado do RN na geração de empregos em fevereiro de 2026 contrasta
significativamente com o do mesmo mês do ano passado, quando o saldo potiguar
foi positivo, com geração de 2.638 vagas (23.044 admissões e 20.406
desligamentos) e desempenho positivo em três setores, com destaque para o de
Serviços, que terminou o mês com um saldo de 2.489 vagas. Na sequência, vêm
Construção (733) e Comércio (586). Os setores de Indústria e Agricultura
apresentaram saldo negativo, com menos 122 e 1.048 vagas, respectivamente.
O salário médio real de admissão no estado em fevereiro
de 2026 foi de R$ 2.010,22. O saldo de empregos formais no RN foi positivo no
mês de janeiro passado, com criação de 1.281 vagas. Nesse caso, a queda no
saldo de empregos foi de 273% entre janeiro e fevereiro de 2026, com o mercado
passando de geração para fechamento de vagas. No acumulado do ano, o saldo
também é negativo (-940), com 40.143 admissões e 41.083 desligamentos.
Os dados foram divulgados pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. O
Brasil teve um mês de fevereiro positivo, com 255.321 novas vagas de trabalho
com carteira assinada. A criação de empregos caiu 42% em comparação a fevereiro
do ano passado (440.432), pressionada pelos juros altos e pela desaceleração da
economia.
Sedec: Resultado do RN é
movimento conjuntural
Na avaliação da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico do Rio Grande
do Norte (Sedec-RN), os dados refletem “um movimento conjuntural que acompanha
oscilações típicas do início do ano em determinados segmentos produtivos”.
“Esse comportamento é historicamente observado após o período de maior
dinamismo econômico do fim de ano, quando parte das atividades realiza ajustes
sazonais em seus quadros, especialmente nos setores industrial e agropecuário,
que apresentaram retração no período”, diz a pasta.
Ainda segundo a Sedec-RN, no caso da agropecuária, o resultado reflete a
dinâmica própria dos ciclos produtivos. Há menos contratações entre etapas da
safra, sendo o fenômeno recorrente e esperado.
Já na indústria, o movimento reflete ajustes pontuais de
produção e recomposição de estoques. A pasta destaca o desempenho do setor de
serviços, o principal vetor de geração de empregos no estado no período
analisado.
Dados por porte de empresa
O Boletim de Emprego, elaborado pelo Sebrae-RN (Serviço de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas no Rio Grande do Norte) aponta que, em relação ao porte de
empresas, as microempresas foram as que tiveram maior saldo de vagas (885).
Pequenas empresas registraram leve queda (-30 postos); médias empresas tiveram
desempenho mais retraído, com -1.314 vagas; e grandes empresas tiveram o pior
desempenho por porte, com o fechamento de -1.762 postos de trabalho.
Municípios com mais ganhos e
perdas
Já em relação aos municípios potiguares, o boletim aponta que Natal liderou a
geração de postos de trabalho (+550). Houve concentração de ganhos na região
metropolitana de Natal e perdas acentuadas em municípios do interior e litoral
sul.
Parnamirim teve saldo de 291 vagas; Ipanguaçu registrou 235 novas vagas;
Extremoz teve 91 vagas; e Serra Negra do Norte teve 77 vagas. Na outra ponta,
Baía Formosa liderou o déficit de vagas, com -897 postos; Apodi teve saldo
negativo de -415 vagas; Mossoró: -400 postos; Goianinha: -286 vagas; e Arês:
-258 postos.
Tribuna do Norte
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