Allyson Bezerra deixou Prefeitura de Mossoró no fim de março para ficar apto à disputa do Governo do Estado - Foto: José Aldenir / O Correio de Hoje
Por O Correio de Hoje
O ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra, pré-candidato
ao Governo do Rio Grande do Norte pelo União Brasil, afirmou que não pretende
pedir voto nem induzir eleitores a apoiar qualquer candidato à Presidência da
República, defendendo independência política e foco na gestão estadual.
“Eu não vou pedir voto para nenhum candidato e nem vou
tentar induzir o eleitor a votar em algum candidato”, disse, em entrevista ao
programa Radar 95, da rádio 95 FM. Segundo ele, esse tipo de posicionamento não
altera o comportamento do eleitor. “Qualquer político que tenta mudar ou
induzir o voto de um candidato a presidente… sabe quantas pessoas ele consegue
mudar? Nenhuma.”
Allyson afirmou que essa postura não é nova e citou
eleições anteriores. “Foi assim em 2018. Fui candidato a deputado, fui eleito,
não me posicionei. Em 2020, em 2022 e 2024, fui candidato e sempre esse
questionamento.”
Para ele, o foco está na governabilidade.
“Independentemente de quem esteja lá sentado na cadeira no Palácio do Planalto,
pode ter certeza de uma coisa: vou lá, vou defender os interesses do Estado. Eu
fiz isso quando era Jair Bolsonaro o presidente e fiz agora quando era Lula o
presidente.”
Ao comentar a relação com os governos federais, o
pré-candidato citou como exemplo um convênio de R$ 40 milhões. “Esse convênio
foi assinado na época do governo Bolsonaro. E os repasses começaram a ser
feitos agora na época do governo Lula.” Ele reforçou que pretende manter essa
postura. “Eu vou trabalhar com quem estiver lá.”
Durante a entrevista, Allyson criticou o que chamou de
estratégia de candidatos que vinculam sua imagem a nomes nacionais. “Candidato
que quer ganhar voto chega para o eleitor e diz ‘eu não tenho proposta não, mas
meu candidato é fulano a presidente’. Isso é muito pouco, isso é muito
pequeno.”
Questionado sobre o risco de ficar fora do segundo turno
por não se alinhar à direita ou à esquerda, ele respondeu com base em sua
experiência eleitoral em Mossoró. “Nós tivemos 78% dos votos. Isso não acontece.”
Segundo ele, mesmo com apoios nacionais em disputa, o eleitor decide de forma
independente.
Para ilustrar, citou o caso de Parnamirim. “Foi a única
cidade do Rio Grande do Norte em que o ex-presidente Bolsonaro venceu. Lá ele
tinha um candidato a prefeito, foi lá fazer campanha, mas quem ganhou foi
Nilda, que não tinha o apoio desse candidato.” Na avaliação dele, o eleitor
separa o voto local do nacional. “No final das contas, o que vale é a
consciência do eleitor.”
Allyson também rejeitou a ideia de que sua posição seja
apenas estratégia. “Eu tenho eleitor dos dois lados”, afirmou. E reforçou que
quer estimular a participação sem direcionamento. “Eu quero que as pessoas
votem, só que eu não quero induzir o voto de presidente.”
Rótulos ideológicos
Ao tratar da sua identidade política, evitou se enquadrar
em rótulos ideológicos. “Depende do seu ponto de vista”, disse. Ele argumentou
que temas como segurança pública e programas sociais são frequentemente
associados a campos distintos, mas podem coexistir. “Eu defendo segurança
pública”, afirmou, citando que armou a Guarda Civil Municipal de Mossoró, que
estava há mais de 10 anos sem armamento.
Na área social, destacou programas da sua gestão. “Um
programa para a juventude chamado Jovem do Futuro, dá uma bolsa de R$ 350 por
mês, já beneficia 5 mil jovens”, disse. Segundo ele, os participantes têm
acesso a cursos profissionalizantes no SENAI, SENAC e universidades, pagos pela
prefeitura.
Pressionado a se definir como candidato de centro,
rejeitou a classificação. “Essa discussão é rasa”, afirmou. Para ele, o
essencial é resultado. “Que adianta você ter um político que diga ‘eu sou de
direita’ ou ‘eu sou de esquerda’, e quando ele entra para fazer uma gestão, é
um desastre?”
O pré-candidato usou seu desempenho eleitoral em Mossoró
como argumento. Ele venceu a primeira eleição com 6 mil votos de maioria e, na
reeleição, alcançou mais de 100 mil votos de vantagem. “Isso mostra que eu não
governei só para quem votou em mim.”
Gestão
Ao longo da entrevista, Allyson ampliou o debate para
propostas de gestão e críticas à administração estadual. Ao falar da saúde,
citou o Hospital Walfredo Gurgel como exemplo de ineficiência. “O tomógrafo
quebra e aí passa dias, semanas sem ser consertado.” Como alternativa, defendeu
a contratação de serviços, inclusive privados, dentro da estrutura pública.
Ele afirmou que pretende modernizar a máquina pública.
“Não se admite mais os processos acontecerem dentro do papel.” Defendeu o uso
de tecnologia, inteligência artificial e análise de dados. Disse que implantou
esse modelo em Mossoró, onde, segundo ele, a Secretaria da Fazenda passou de 4
ou 5 serviços digitais, de um total de mais de 70, para funcionamento 100%
online.
O pré-candidato também abordou a situação fiscal do
Estado. Disse que o problema não é arrecadação. “A receita do Rio Grande do
Norte cresceu mais de 13% em 2025.” Para ele, o problema está no gasto. Ele
mencionou a classificação do Estado no índice da Capacidade de Pagamento (Capag)
da Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Ele afirmou que, enquanto o Estado tem
nota C, Mossoró ostenta nota A no indicador.
Ao tratar de servidores, afirmou que é possível valorizar
sem retirar direitos. Disse que implantou planos de carreira em diversas categorias
e citou aumento de até 60% para servidores com qualificação. “Servidor que tá
entregando resultado tem que receber bem.”
Sobre previdência, afirmou que o Estado tem déficit de
cerca de R$ 160 milhões por mês e rombo de aproximadamente R$ 1,5 bilhão.
Comparou com Mossoró, onde disse ter herdado dívida de R$ 233 milhões e deixado
R$ 226 milhões em caixa. “Sabe quantos dias eu atrasei de previdência? Nem um
dia.”
Para diminuir a despesa com pessoal, o ex-prefeito de
Mossoró criticou propostas de adversários como plano de demissão voluntária.
“Você vai mandar o servidor para o Ipern, e o Ipern não tem dinheiro.” E
defendeu aumento de receita sem elevar impostos, por meio de liberação de
licenças para energia eólica, petróleo e mineração.
Ao comentar adversários, fez críticas diretas. Disse que
Cadu Xavier (PT), ex-secretário da Fazenda, é corresponsável pela situação
fiscal. Sobre Álvaro Dias (PL), ex-prefeito de Natal, afirmou: “Ele inaugurou
uma obra inacabada. Até hoje o hospital municipal não fez uma cirurgia, um
exame de sangue.”
Também citou obras de Mossoró, como o Complexo Viário 15
de Março, com investimento de quase R$ 100 milhões, ligando a BR-110 à BR-304.
Disse que parte dos recursos veio de convênio com o governo federal firmado em
2022, mas que a prefeitura concluiu a obra mesmo sem receber todos os repasses.
Na política, afirmou que ainda não há definição sobre a
segunda candidatura ao Senado. O primeiro nome apoiado será o da senadora
Zenaide Maia (PSD) e citou o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo (União) como
possibilidade para composição. “Esse tema não está maduro”, ponderou. Em 2026,
cada estado vai eleger dois senadores.
Ao final, defendeu a democracia e o papel da imprensa. “Quem decide entrar na política tem que ficar aberto para responder toda pergunta.”
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