O uso das urnas eletrônicas no Brasil completa 30 anos em
2026. Considerado uma inovação que transformou a votação no país, o primeiro
modelo possuía poucas funcionalidades. Basicamente teclado numérico semelhante
ao de um telefone, com números em braile. Não havia coleta biométrica, por
exemplo.
Na época, em 1996, o equipamento foi utilizado em todas
as capitais e em 31 municípios com mais de 200 mil eleitores, atingindo cerca
de 30% do eleitorado do país. A exceção foi o Distrito Federal, que não tem
eleições municipais. As informações são da CNN.
O objetivo era garantir maior celeridade, sigilo,
segurança e eficiência, tanto na votação quanto na apuração.
A expansão foi rápida. Em 1998, a votação eletrônica
ocorreu em 537 municípios com mais de 40 mil eleitores e, em 2000, o sistema
passou a ser utilizado em todos os municípios brasileiros, informatizando
completamente as eleições.
Desde sua criação, a urna eletrônica passou por diversas
atualizações tecnológicas, tanto em seu hardware quanto nos softwares. A cada
eleição, novas funcionalidades são incorporadas, acompanhando os avanços da
tecnologia da informação e reforçando os princípios de sigilo, celeridade e
integridade do voto.
Desde a primeira urna até a atual, fabricada em 2023,
foram desenvolvidas 14 versões.
A última geração possui novo design e melhorias
relacionadas à capacidade de processamento das informações, interação com o
mesário por meio de teclado sensível ao toque e diretivas de segurança do
equipamento. A evolução desses aparelhos trouxe avanços em diversas frentes:
Segurança: a urna eletrônica possui uma arquitetura
de segurança única no mundo, com uso de criptografia avançada, lacres físicos
reforçados e sistemas que só funcionam no próprio equipamento;
Transparência: o processo eleitoral é auditável em
todas as suas etapas, da votação à totalização, com diversos mecanismos que
garantem a integridade dos votos;
Acessibilidade: foram implementados recursos como
fones de ouvido, sintetizador de voz, teclado em braile e intérprete de Libras
(Língua Brasileira de Sinais) na tela da urna, facilitando a votação para
pessoas com deficiência;
Celeridade: os novos modelos tornaram a votação e a
apuração mais rápidas, reduzindo o tempo de habilitação dos eleitores e a
divulgação dos resultados;
Sustentabilidade: os equipamentos mais recentes são
energeticamente mais eficientes, mais duráveis e recicláveis, contribuindo para
a preservação ambiental.
Biometria
Desde 2008, a Justiça Eleitoral passou a utilizar a
identificação por impressões digitais para reconhecer biometricamente o
eleitorado. A coleta da biometria é um serviço eleitoral obrigatório.
A identificação biométrica torna o processo eleitoral
ainda mais seguro, ao impedir que uma pessoa tente votar no lugar de outra e ao
possibilitar a detecção de registros duplicados no cadastro eleitoral.
Essa tecnologia é mais uma medida adotada pela Justiça
Eleitoral para reduzir a intervenção humana na votação, principal fator de
vulnerabilidade do sistema no passado.
Atualmente, dos mais de 150 milhões de eleitores aptos a
votar, cerca de 86% — mais de 137 milhões de pessoas — já possuem dados
biométricos cadastrados.
Ao abrir os testes das urnas de 2025, no início de
dezembro, a ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE (Tribunal Superior
Eleitoral), ressaltou a transparência e a confiabilidade do sistema eleitoral.
A presidente do TSE destacou que o teste permite a
participação direta da sociedade na busca por aprimoramentos dos sistemas
eleitorais. “Convidamos a sociedade para investigar, examinar e verificar se há
alguma vulnerabilidade que ainda tenha que ser corrigida antes das eleições,
daqui a dez meses”, afirmou.
Entre 2008 e 2023, pelo menos 500 visitantes de 50 países
foram recebidos pela Justiça Eleitoral brasileira.
Segundo o TSE, somente nas últimas eleições gerais, em 2022, cerca de 200 pessoas de mais de 30 países diferentes tiveram contato com aspectos essenciais do processo eleitoral brasileiro, como a urna eletrônica e o código-fonte, o sistema de identificação dos eleitores, além de estratégias de combate à desinformação.
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