Governo do RN investiu R$ 370 milhões de janeiro a
outubro de 2025: o terceiro menor valor entre os 27 governos estaduais
De todos os 27 governos estaduais, o Governo do Rio
Grande do Norte foi o que mais reduziu seus investimentos em 2025. Segundo os
dados oficiais, a queda nos investimentos do RN foi de 40,8% de janeiro a
outubro de 2025, em relação ao mesmo período do ano anterior.
No setor público, investimento são despesas que ampliam o
patrimônio e a capacidade de oferta do governo, como obras, construções,
aquisição de máquinas e equipamentos, gerando benefícios futuros. Diferencia-se
do custeio, cobre as despesas diárias e a manutenção da máquina administrativa
(salários, materiais de consumo e serviços).
Os números são de relatórios resumidos de execução
orçamentária enviados pelos próprios estados à Secretaria do Tesouro Nacional
(STN). Um relatório com os dados foi divulgado na última segunda-feira 12 pelo
jornal Valor Econômico. Os dados de 2025 ainda não estão totalmente fechados
porque os estados têm até o fim deste mês para divulgar os números do último
bimestre do ano passado (novembro e dezembro de 2025).
Em números totais, o Governo do RN investiu R$ 370
milhões de janeiro a outubro de 2025. Foi o terceiro menor valor entre os 27
governos estaduais, à frente apenas de Rondônia (R$ 350 milhões) e Roraima (R$
170 milhões) – a população do Rio Grande do Norte é maior que a dos dois
estados somados.
Os investimentos subiram em 16 estados e no Distrito
Federal. Em 13 deles, o aumento foi superior a 10%, sendo que a taxa superou
30% reais em nove desses entes: Goiás, Rio Grande do Sul, Amapá, Sergipe,
Paraná, Maranhão, Acre, Paraíba e Pernambuco.
No Nordeste, apenas dois estados tiveram queda nos
investimentos. Além do RN, o outro estado com redução foi a Bahia, com queda de
6,1%. Ainda assim, o governo baiano investiu R$ 5,47 bilhões no período
analisado. Estado com população equivalente à do RN, mas com PIB menor, a
Paraíba teve investimento de quase R$ 1,8 bilhão de janeiro a outubro de 2025 –
quase cinco vezes mais que o estado potiguar.
Procurada pelo AGORA
RN, a Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz) não comentou os
números até o fechamento da edição.
RN perdeu parcela do PEF em 2025 por não atender metas
fiscais
Um dos fatores que pode ter contribuído para a queda nos
investimentos em 2025 foi a saída do Rio Grande do Norte do Programa de
Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF). Em 2024, com base no programa, o Estado
conseguiu um empréstimo de R$ 427 milhões junto ao Banco do Brasil, e o
dinheiro foi aplicado na recuperação de estradas.
No ano passado, a expectativa era de uma nova operação de
crédito para outros investimentos, mas o Tesouro Nacional não deu aval à
transação, sob a alegação de que o governo potiguar não conseguiu cumprir uma
meta fiscal – a redução da despesa com pessoal.
Através do PEF, estados e municípios com situação fiscal
desfavorável podem buscar empréstimos junto a instituições financeiras com aval
da União. Em troca, porém, devem cumprir metas fiscais, sob pena de saída do
programa.
Em novembro de 2025, o Governo do RN e o Governo Federal
fecharam um acordo para que o Estado volte ao PEF. A retomada vai permitir ao
Estado buscar R$ 855 milhões em novos empréstimos. O acordo foi homologado pelo
ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com a volta ao PEF, a gestão estadual se comprometeu a
adotar medidas de equilíbrio fiscal. Com o aval, a União vira uma espécie de
“fiadora”: ou seja, o Tesouro Nacional arca com as despesas do empréstimo caso
o Estado não consiga honrar as parcelas.
Se o Estado cumprir as metas, além dos R$ 855 milhões,
poderá captar mais cerca de R$ 430 milhões em uma segunda etapa. Portanto, o
acordo permitirá um financiamento total de quase R$ 1,3 bilhão.
Em entrevista ao AGORA
RN em novembro, o secretário estadual de Fazenda, Cadu
Xavier, disse que, entre outras medidas, o Estado se comprometeu em promover um
“crescimento sustentável” da folha de pessoal. Ele não detalhou, porém, que
medidas específicas a gestão pretende implementar para atingir a meta. Já está
em vigor no RN, desde o início de 2024, uma lei que prevê que, de um ano para o
outro, a despesa com pessoal não pode crescer mais que 80% do avanço da
receita.
O economista Alberto Borges, sócio da consultoria Aequus,
disse ao Valor Econômico que o aumento nos investimentos dos estados se deveu
justamente à evolução das operações de crédito. Essas receitas tiveram alta de
34,4% de janeiro a outubro de 2025 contra iguais meses de 2024. Em igual
período, a arrecadação própria dos Estados cresceu a ritmo bem menor, de 2%.
Despesa com pessoal limita investimentos
Um dos principais fatores que limitam a execução de
investimentos com recursos próprios no Estado é o gasto com folha de pagamento
de salários. No ano passado, o Estado começou a reduzir sua despesa com
pessoal, em relação à receita corrente líquida. No segundo quadrimestre de 2025
(de maio a agosto), o percentual ficou em 55,73%. No quadrimestre anterior
(janeiro e abril de 2025), a taxa estava em 56,01%. O último relatório de 2025
deverá ser publicado até o fim deste mês.
Apesar disso, o Estado ainda ultrapassou o limite
previsto para esse tipo de gasto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para o
Poder Executivo (49%).
Além disso, o Rio Grande do Norte segue sendo o estado
com o maior gasto com pessoal do Brasil, em termos proporcionais. Também é o
único que ultrapassa o limite previsto na LRF. Em 2º lugar, vem Minas Gerais,
com 48,52%. O menor gasto, por sua vez, está no Maranhão (30,06%).
Em números: Investimentos do RN em 2025
– Comparativo regional:
– Ranking nacional:
– PEF (Programa de Equilíbrio
Fiscal):
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