Por Luiz Queiroz*
Em pouco mais de um mês, a jornalista Malu Gaspar deu uma
aula sobre a essência do jornalismo: apurar e publicar fatos, independentemente
de agradar ou desagradar quem quer que seja. Pagou um preço alto por isso. Foi
alvo de ataques duros, em alguns casos, vis – inclusive por colegas de
profissão que hoje atuam à sombra de “mecenas” públicos e privados.
Mesmo assim, deu a volta por cima ao revelar a existência
de influenciadores pagos para atacar e desgastar a imagem do Banco Central no
caso Master. O paradoxo é evidente: muitos dos que a atacaram passaram, depois,
a se apoiar cinicamente nas informações que ela trouxe à tona para defender a
própria autoridade monetária.
Ao expor o financiamento dessas campanhas de
desinformação, Malu Gaspar contribuiu diretamente para que o Banco Central
voltasse a ser defendido até pelo governo, após ter sido abandonado, isolado e
lançado aos leões das redes sociais.
Jornalismo é isso. Não é ciência exata, mas é
indispensável em um país onde algoritmos das plataformas de Internet passaram a
determinar o que a população deve saber ou não. E frequentemente lucram com a desinformação.
*Editor do Capital Digital
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