Sinsp afirma que Governo do RN faz o desconto das
parcelas de empréstimos no contracheque, mas não repassa os valores devidos à
instituição financeira
Servidores do Governo do Rio Grande do Norte estão há
sete meses sem poder contratar empréstimos consignados junto ao Banco do
Brasil, de acordo com denúncia do Sindicato dos Servidores da Administração
Direta (Sinsp). Além disso, servidores que possuem empréstimos ativos estão
sendo surpreendidos com cobranças do banco e com o nome negativado em serviços
de proteção de crédito devido à falta de pagamento das parcelas vencidas,
embora recebam o salário já com o desconto.
Segundo o Sinsp, o problema acontece porque, desde julho
de 2025, o Governo do Estado faz o desconto das parcelas de empréstimos no
contracheque dos servidores, mas não repassa os valores devidos ao Banco do
Brasil.
No fim de agosto de 2025, o secretário estadual da
Fazenda, Cadu Xavier, fez uma exposição na Comissão de Administração da
Assembleia Legislativa e reconheceu os atrasos nos pagamentos. Em conversa com
os deputados estaduais, ele afirmou que os débitos seriam quitados até
dezembro, o que não ocorreu segundo o Sinsp.
Na ocasião, o secretário informou que o Estado possui
cerca de 106 mil servidores ativos, dos quais 50 mil têm algum tipo de
consignação em folha, como empréstimos, contribuições sindicais e descontos de
planos de saúde e associações. No total, eram 259 mil operações que somavam
cerca de R$ 96 milhões por mês. O Banco do Brasil concentra 82% desse valor, em
torno de R$ 73,5 milhões. Segundo Cadu Xavier, os repasses estavam regulares
para associações e demais instituições financeiras, mas pendentes com o Banco
do Brasil.
Ele admitiu também que os atrasos nos consignados
acontecem porque a prioridade do governo é manter o pagamento da folha em dia.
Segundo Cadu Xavier, se os consignados fossem pagos, faltaria dinheiro para
pagar salários.
Deputado aciona Banco Central e propõe CPI para apurar
atrasos
Em um pronunciamento na Assembleia Legislativa, o
deputado estadual Gustavo Carvalho (PL) classificou o problema dos consignados
como “apropriação indébita” por parte do Governo do Rio Grande do Norte. Desde
novembro de 2023, o parlamentar tenta obter dados sobre o volume total da
dívida, mas relata enfrentar “barreiras institucionais e sigilo injustificado”.
“Estamos diante de uma situação gravíssima. Isso é
improbidade administrativa e caso de prisão. O governo castiga o servidor, que
paga sua conta, mas acaba inadimplente perante o banco porque o Estado retém o
dinheiro de forma irresponsável”, afirmou o deputado.
Deputado estadual Gustavo Carvalho – Foto: Eduardo
Maia/ALRN
O deputado disse ter solicitado informações oficiais
sobre os repasses junto ao Banco do Brasil, inclusive utilizando a Lei de
Acesso à Informação (LAI), mas não obteve sucesso. Segundo ele, o banco
confirmou, via ofício, que os repasses estão em atraso, mas se recusou a
detalhar os valores sob a justificativa de sigilo bancário.
Diante da situação, Gustavo Carvalho apresentou uma
representação ao procurador-geral de Justiça, Glaucio Garcia, mas já se
passaram 60 dias sem resposta, de acordo com ele.
No último dia 3 de fevereiro, o deputado informou ter protocolado
uma denúncia formal junto ao Banco Central. O objetivo é que a autoridade
monetária intervenha na conduta das instituições envolvidas — especialmente o
Banco do Brasil — diante da falta de informações detalhadas sobre os atrasos.
O parlamentar alerta para um cenário de “falência
técnica”, pontuando que o descontrole fiscal criou um rombo tão profundo que
gera incertezas sobre a sucessão governamental. “Ninguém quer assumir o Estado
sem saber o tamanho real do buraco. O silêncio do governo é a prova de sua
irresponsabilidade”, declarou.
O deputado ressaltou, ainda, que vai buscar diálogo com a
Assembleia para viabilizar uma apuração concreta via Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI). Ele reforçou que, embora o convite para esclarecimentos seja o
passo inicial, a abertura de uma investigação rigorosa não está descartada caso
o Executivo mantenha o silêncio. “Não podemos ficar apenas no convite enquanto
não houver respeito e respostas”, concluiu.
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