O Brasil discursou em reunião extraordinária do Conselho
Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), hoje, e reafirmou sua
posição de condenar a ação dos Estados Unidos na Venezuela. O Brasil é
representado na comissão pelo embaixador Benoni Belli.
A convocação da reunião ocorreu após a intervenção
americana no país latino-americano, que resultou na captura do presidente
Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Ontem, o Brasil também condenou a intervenção
norte-americana durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das
Nações Unidas (ONU). Na ocasião, o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese,
fez uma declaração pública. Segundo Danese, não é possível “aceitar o argumento
de que os fins justificam os meios”.
Danese afirmou que esse raciocínio “carece de
legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de
definir o que é justo ou injusto, correto ou incorreto, e até mesmo de ignorar
as soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos.”
“O mundo multipolar do século XXI, que promova a paz e a
prosperidade, não se confunde com áreas de influência”, pontou. A declaração
está alinhada à nota divulgada pelo governo brasileiro, assinada pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia da ação norte-americana no
país vizinho. A informação foi adiantada pelo blog do Valdo Cruz.
“O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior
firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação
da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”, afirmou o embaixador.
Para ele, o ataque e captura de Maduro “ultrapassam uma
linha inaceitável”. "Esses atos constituem uma gravíssima afronta à soberania da
Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a
comunidade internacional”, prosseguiu.
De acordo com o embaixador, a Carta das Nações Unidas
estabelece, como pilar da ordem internacional, a proibição do uso da força
contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer
Estado, salvo nas circunstâncias estritamente previstas nela.
Nesse sentido, Sérgio Danese ponderou que a aceitação de
ações dessa natureza poderia conduzir a um “cenário marcado pela violência,
pelo desordenamento e pela erosão do multilateralismo”.
Na reunião de emergência, Rússia e a China, aliados do presidente venezuelano, também condenaram a ação. Os EUA, por outro lado, se defenderam das críticas ao chamar Maduro de “fugitivo da Justiça” e falar em “operação para o cumprimento da lei”.
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