Ex-senador diz não ver risco de perder liderança da sigla
no RN mesmo diante de investidas do PL, divergências internas e articulações
nacionais em torno da eleição de 2026
Por O Correio de Hoje
O ex-senador José Agripino Maia não vê qualquer risco de perder
o comando do União Brasil no Rio Grande do Norte. Em meio a especulações sobre
uma possível troca na presidência do diretório potiguar e diante de
movimentações políticas que tentam atrair quadros da legenda para outros
projetos eleitorais, Agripino afirma que a hipótese de perda de influência
dentro do partido não faz parte de suas preocupações.
“Nem me preocupa a sua pergunta, nem de longe me
sensibiliza”, declarou, em entrevista ao jornal O CORREIO DE HOJE. Segundo ele,
a relação com a direção nacional do partido é antiga e consolidada. “Eu tenho
com os companheiros do União Brasil um caminho de longa data. Eu tenho muito
quilômetros rodados com essas pessoas”, acrescentou.
Agripino também afirmou não disputar espaço dentro da
legenda e disse ter experiência suficiente para perceber quando há risco real
de perda de poder. “Eu tenho um feeling perfeito para saber quando é que eu
devo me preocupar ou não com ameaças de subtração das prerrogativas que eu
possa ter como presidente do partido.”
A declaração ocorre em um momento de forte movimentação
política em torno do União Brasil no Estado. O Partido Liberal (PL) tem buscado
ampliar seu espaço no Rio Grande do Norte e tenta atrair lideranças da legenda
para o seu campo político.
Um dos casos é o de Carla Dickson. No primeiro dia da
janela partidária, em 5 de março, a deputada federal deixou o União Brasil e se
filiou ao Partido Liberal. Além disso, o partido bolsonarista fez investidas
sobre vereadores de Natal ligados ao União Brasil, a exemplo da vereadora
licenciada Nina Souza.
No cenário estadual, o União Brasil também convive com
divergências internas. O diretório municipal de Natal, presidido pelo prefeito
Paulinho Freire, apoia a pré-candidatura do ex-prefeito Álvaro Dias ao Governo
do Estado, enquanto a direção estadual trabalha na construção de uma aliança em
torno do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra.
No plano nacional, o Partido Liberal tenta ampliar a
aliança de partidos em torno da candidatura presidencial do senador Flávio
Bolsonaro, o que inclui conversas para atrair o União Brasil para esse
palanque. O senador potiguar Rogério Marinho é o coordenador da campanha de
Flávio.
Apesar desse ambiente de disputa política, Agripino
afirma não enxergar risco ao seu comando dentro da legenda. “Em momento nenhum
foi objeto das minhas preocupações ter mais prestígio ou menos prestígio do que
eu tenho”, disse.
Questionado sobre possíveis reflexos locais de
articulações nacionais envolvendo o Partido Social Democrático (PSD) e o
Partido Liberal, Agripino descartou qualquer impacto na aliança estadual.
“Chance zero”, respondeu ao ser perguntado se o movimento poderia comprometer o
apoio do partido da senadora Zenaide Maia à chapa liderada por Allyson Bezerra.
Segundo ele, a relação de Zenaide com a direção nacional
do partido é sólida e não haveria interferência para impedir alianças locais.
“A relação de Zenaide com a presidência do PSD, ao que me consta, é bastante
sólida, consistente. Eles têm um diálogo muito bom e jamais a direção nacional
seria impeditiva à aliança que Zenaide fizesse aqui no Rio Grande do Norte.”
Cartas de anuência
Durante a entrevista, o dirigente também reafirmou a decisão
do União Brasil de não conceder cartas de anuência para vereadores de Natal
deixarem o partido. Segundo ele, a medida está relacionada à necessidade de
fortalecer as chapas proporcionais para as eleições de 2026.
Agripino explicou que a legislação eleitoral estabelece
janelas específicas para troca de partido e que, fora desse período, a saída
depende de autorização formal da legenda. No caso do União Brasil, a concessão
desse documento exige aprovação de três quintos da direção partidária.
Ele destacou que liberar parlamentares poderia
enfraquecer a nominata da legenda e prejudicar outros candidatos. “Na medida em
que eu, como presidente do partido, libero, eu estou sendo infiel ou injusto
com os outros que estão participando, também como os vereadores, de uma
nominata”, disse.
Agripino comentou especificamente a situação da vereadora
licenciada Nina Souza, cotada para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados do
Brasil. A parlamentar chegou a anunciar sua ida para o Partido Liberal alegando
busca por maior viabilidade eleitoral. Sem a anuência do União Brasil, a
mudança partidária pode fazê-la perder o mandato na Câmara Municipal de Natal.
Segundo José Agripino Maia, caso decidisse permanecer no
União Brasil, Nina também teria viabilidade eleitoral e acesso à estrutura
partidária e aos recursos eleitorais. “Ela candidata pela União Brasil, claro
que daria. É evidente que daria”, afirmou ao ser questionado sobre apoio
financeiro e político à candidatura.
“Nina teria a condição de candidata pelo nosso partido de ter todos os privilégios da estatura política eleitoral que ela tem”, destacou.
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