O governo federal intensificou as discussões sobre
possíveis mudanças nas regras do cartão de crédito, com foco especial nos juros
do rotativo, que atualmente somam R$ 758 mil por minuto no Brasil.
Esse valor representa mais de R$ 1 bilhão por dia em
operações de crédito com os juros mais altos do sistema financeiro nacional,
chegando a 450% ao ano.
O saldo das operações no rotativo do cartão de crédito
teve um crescimento expressivo nos últimos anos. Em 2010, a dívida dos
brasileiros nessa modalidade era de aproximadamente R$ 20 bilhões.
Após um crescimento moderado até 2017, quando atingiu
cerca de R$ 40 bilhões, houve uma primeira tentativa de regulação durante o
governo Temer, limitando o uso do rotativo a 30 dias.
A medida surtiu efeito temporário, mas após a pandemia,
os números voltaram a crescer rapidamente, superando os R$ 70 bilhões.
Em 2024, uma nova regulação foi implementada, limitando
os juros do rotativo a 100%. Porém, os dados mostram que essa medida não foi
suficiente para conter o problema.
Uma das explicações para a ineficácia é que as instituições
financeiras passaram a migrar clientes do rotativo para o parcelado com juros,
outra modalidade também com taxas elevadas, embora menores que as do rotativo.
Bancarização e multiplicação de cartões agravam o
problema
O aumento da bancarização após a pandemia, que incluiu
cerca de 40 milhões de pessoas no sistema financeiro, contribuiu
significativamente para o agravamento do problema.
Muitos brasileiros que antes não tinham acesso a serviços
bancários passaram a ter múltiplos cartões de crédito, muitas vezes sem o
adequado cruzamento de dados que identificasse seu nível de endividamento. Nos
últimos 12 meses, os brasileiros tomaram emprestados R$ 398 bilhões no rotativo
do cartão de crédito.
A falta de educação financeira é apontada como um dos
principais fatores para esse cenário, já que muitos consumidores desconhecem
alternativas menos onerosas, como o crédito pessoal, que, embora ainda tenha
taxas altas, apresenta juros significativamente menores que o rotativo.
Entre as possibilidades que o governo estuda está a
regulação da emissão de cartões, estabelecendo limites mais rígidos e
melhorando o cruzamento de dados para evitar que pessoas já endividadas
continuem recebendo novos cartões.
A medida visa minimizar o impacto negativo que o
endividamento com cartão de crédito tem causado, anulando até mesmo os efeitos
positivos do mercado de trabalho aquecido, da queda da inflação e do aumento da
renda.
Nenhum comentário:
Postar um comentário